Levantamento aponta falhas no acesso à informação e impacto direto no tratamento.
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento do câncer, uma parcela significativa dos pacientes brasileiros ainda desconhece direitos assegurados por lei. O dado, apontado por uma pesquisa recente, evidencia um problema que vai além da saúde: o acesso à informação.
Na prática, isso significa que muitos pacientes deixam de acessar benefícios que poderiam reduzir impactos financeiros, facilitar o tratamento e garantir mais dignidade durante o processo.
Entre os direitos previstos estão o saque do FGTS e do PIS/Pasep, auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, isenção de impostos na compra de veículos adaptados, além do acesso a medicamentos e tratamentos pelo sistema público de saúde.
O que chama atenção é que, mesmo diante de um diagnóstico que exige reorganização da vida pessoal e profissional, essas informações ainda não chegam de forma clara ao paciente. Em muitos casos, o conhecimento desses direitos ocorre de maneira tardia ou por indicação de terceiros.
Profissionais da área da saúde apontam que a desinformação pode comprometer não apenas o planejamento financeiro, mas também a continuidade do tratamento. Isso porque alguns benefícios estão diretamente ligados à possibilidade de afastamento do trabalho e à manutenção da renda.
Outro ponto relevante é a ausência de orientação estruturada dentro do próprio sistema de atendimento. Embora existam leis que garantem esses direitos, a comunicação ainda não é integrada ao acompanhamento clínico de forma consistente.
Diante desse cenário, cresce a necessidade de uma atuação mais alinhada entre saúde e informação. O acesso a direitos não deve depender de buscas individuais ou de indicações informais, mas fazer parte do processo de cuidado.
O diagnóstico de câncer, por si só, já impõe desafios significativos. Garantir que o paciente tenha conhecimento sobre seus direitos é uma medida que contribui diretamente para um tratamento mais organizado e menos vulnerável.