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Saúde mental masculina: o silêncio que vira estatística

Foto/ Reprodução: Internet

Os homens adoecem em silêncio com uma regularidade que os dados de saúde pública registram há décadas. No Brasil, a taxa de suicídio entre homens é cerca de quatro vezes maior do que entre mulheres. Homens vivem, em média, sete anos menos. Procuram serviços de saúde com menos frequência, recebem diagnósticos tardios e aderem menos a tratamentos de longo prazo. São números que descrevem um padrão, não uma coincidência.

A construção cultural em torno da masculinidade opera, entre outras coisas, como um sistema de supressão de vulnerabilidade. Desde cedo, meninos aprendem que demonstrar fragilidade é sinal de inadequação. Que pedir ajuda é fraqueza. Que o sofrimento deve ser administrado internamente, sem incomodar, sem expor, sem recorrer a recursos que a sociedade reserva, implicitamente, a outros grupos. Esse aprendizado não desaparece na vida adulta. Ele se aprofunda.

O sofrimento psíquico masculino tende a se expressar de formas que dificultam o diagnóstico. Em vez de tristeza declarada, aparece irritabilidade. Em vez de choro, aparece isolamento. Em vez de relato verbal, aparecem comportamentos de risco, consumo excessivo de álcool, abandono de vínculos, entrega compulsiva ao trabalho. Os sinais estão lá. A dificuldade está em reconhecê-los como o que são.

A psicoterapia ainda carrega, para parcela significativa da população masculina, uma resistência que mistura estigma e desconhecimento. Muitos homens que chegam ao consultório psicológico chegam em crise instalada, depois de anos ignorando um sofrimento que poderia ter sido tratado muito antes. A prevenção, nesse contexto, exige mais do que oferta de serviços: exige uma mudança na forma como se fala sobre saúde mental dentro dos espaços que os homens habitam.

Não é uma questão de fragilidade. É uma questão de acesso: acesso à linguagem, ao acolhimento, à permissão de existir fora do padrão que nunca foi humano o suficiente para incluir a dor.

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