Mais de mil micro e pequenas empresas participaram, nesta semana, de uma programação voltada ao fortalecimento do comércio eletrônico durante o Fórum E-Commerce Brasil, em São Paulo. O tema foi abordado em reportagem da Redação do Brasil 247, que destacou a iniciativa voltada à ampliação da presença dos pequenos negócios no ambiente digital por meio de mentorias, acesso a marketplaces e ações de capacitação promovidas pelo Sebrae.
Realizado até esta quinta-feira (30), o encontro reuniu cerca de 340 expositores e mais de 600 palestrantes, com expectativa de movimentar R$ 2,5 bilhões em negócios. Ao todo, 1.056 empreendedores receberam apoio do Sebrae para participar da programação, conhecer soluções tecnológicas, apresentar produtos e acessar mentorias com empresas de referência do comércio eletrônico.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, afirmou que a instituição vem ampliando o trabalho de qualificação das micro e pequenas empresas para que elas possam competir em mercados cada vez mais abrangentes, inclusive no cenário internacional.
“Nós temos atuado fortemente na qualificação das micro e pequenas empresas, nos 27 estados da Federação, preparando esses negócios para a exportação, principalmente no contexto do acordo do Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor em maio. O mundo hoje é global, as plataformas de comércio, os marketplace são espaços estratégicos de visibilidade dos nossos produtos e serviços. Por isso, queremos ampliar cada vez mais a presença dos empreendedores nesses espaços.”
A programação destinada aos pequenos negócios incluiu mentorias e palestras sobre acesso a crédito, precificação, logística, marketing digital, aumento de faturamento e estratégias para atuação em marketplaces. Entre os parceiros estiveram Magalu, Shopee, Mercado Livre e Nuvemshop, que apresentaram ferramentas e soluções voltadas ao crescimento das vendas pela internet.
Segundo William Almeida, analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, o objetivo foi aproximar os empreendedores das novas tecnologias e incentivar a adoção de soluções capazes de fortalecer a presença digital das empresas.
“Cabe a eles buscar soluções e entender as novas tecnologias para vender mais e melhor pela Internet.”
Outro destaque do evento foi o espaço Mundo Empreendedor, criado em parceria entre o Sebrae e a organização do Fórum E-Commerce Brasil para oferecer mentorias, rodadas de negócios e conexões comerciais voltadas exclusivamente às micro e pequenas empresas.
Entre os expositores esteve Tiago Fernandes Brito da Silva, fundador da Smartflux, empresa especializada em monitoramento de imagens com uso de inteligência artificial. Segundo ele, o apoio recebido contribuiu para ampliar a visibilidade da empresa e acelerar sua expansão.
“O apoio do Sebrae permitiu a divulgação da empresa e hoje temos clientes em nove estados.”
A empresária Ana Cecília Morigi, fundadora da Lymtech, também destacou o potencial do evento para gerar novos negócios.
“Isso aqui é uma vitrine de divulgação. Estamos prospectando clientes e potenciais parcerias.”
A internacionalização também esteve entre os temas centrais da programação. Durante o painel sobre vendas internacionais por meio do comércio eletrônico, o Sebrae apresentou o Programa Vitrine Global, iniciativa criada para preparar pequenos negócios para atuar em marketplaces e ampliar a presença de marcas brasileiras no exterior.

Para Sarah Rosa, analista de negócios internacionais do Sebrae-RJ, qualquer empresa pode alcançar novos mercados, desde que esteja preparada para esse processo.
“Todos podem exportar e internacionalizar as suas vendas, mas nem toda empresa está pronta. E, seja para atuar em marketplaces ou participar de feiras internacionais, a empresa tem que estar preparada.”
Ela também reforçou que a exportação não deve ser encarada como uma realidade distante para os pequenos empreendedores.
“Exportar não é tão complexo quanto parece.”
Após a etapa de qualificação promovida pelo Sebrae, empresas que demonstram maior maturidade podem ser encaminhadas para programas da ApexBrasil, voltados ao fortalecimento da atuação internacional.
Segundo Marcello Martins, especialista da agência, investir em preparação continua sendo um dos fatores mais importantes para conquistar espaço fora do país.
“Para acessar o mercado externo, é necessário consistência, que vem a partir de muita qualificação.”
O especialista também alertou para erros comuns entre empresas que ingressam no comércio eletrônico sem planejamento, como excesso de investimentos em publicidade, portfólio amplo demais e expectativa de retorno financeiro em curto prazo.
“O processo é lento, é preciso atuar com estratégia e ter consciência de que o resultado vem no longo prazo. O melhor é focar no produto que vende mais.”
Ao reunir empreendedores, especialistas e grandes plataformas digitais, o Fórum E-Commerce Brasil reforçou a importância da qualificação, da inovação e da transformação digital para ampliar a competitividade dos pequenos negócios, fortalecer as vendas online e criar oportunidades de expansão para novos mercados, dentro e fora do Brasil.