Durante anos, o preenchimento facial com ácido hialurônico ganhou espaço como um dos procedimentos mais conhecidos da estética. Agora, uma mudança de comportamento começa a aparecer no setor: em vez de buscar aumento de volume e contornos muito marcados, parte dos pacientes passou a priorizar resultados mais discretos, com aparência natural e preservação das características individuais.
Isso significa que o preenchimento “saiu de moda”? Não exatamente. Dados da American Society of Plastic Surgeons (ASPS) mostram que os preenchimentos com ácido hialurônico continuam entre os procedimentos estéticos minimamente invasivos mais procurados. Ao mesmo tempo, os chamados preenchedores não baseados em ácido hialurônico vêm apresentando crescimento e despertando maior interesse. (American Society of Plastic Surgeons)
A mudança está menos relacionada ao desaparecimento do preenchimento e mais a uma transformação na expectativa dos pacientes: menos volume e mais qualidade da pele, sustentação e aparência natural.
Ácido hialurônico continua tendo seu espaço
O ácido hialurônico é uma substância naturalmente encontrada no organismo e pode ser utilizado para restaurar volume, suavizar determinadas linhas e melhorar contornos faciais. Segundo a ASPS, seus resultados podem ser bastante visíveis e o material pode, quando necessário, ser removido. (American Society of Plastic Surgeons)
O problema aparece quando o procedimento é utilizado de maneira indiscriminada ou quando diferentes aplicações são acumuladas ao longo do tempo sem uma avaliação global da face.
É nesse contexto que alguns pacientes procuram profissionais para reavaliar tratamentos anteriores e, em determinadas situações, remover o ácido hialurônico antes de adotar uma estratégia estética diferente.
A remoção, porém, não deve ser encarada como uma etapa obrigatória para quem deseja utilizar bioestimuladores. A necessidade depende do produto utilizado, da região tratada, da quantidade presente, do tempo desde a aplicação e da avaliação médica.
Bioestimuladores apostam em uma transformação gradual
Diferentemente do preenchimento tradicional, alguns bioestimuladores têm como objetivo estimular o organismo a produzir colágeno, proporcionando mudanças progressivas na firmeza e na qualidade da pele.
Entre os materiais utilizados estão substâncias como o ácido poli-L-láctico. A ASPS explica que esse tipo de produto atua estimulando a produção de colágeno pelo próprio organismo e que os resultados aparecem gradualmente, ao longo de alguns meses. (American Society of Plastic Surgeons)
Essa característica combina com uma tendência estética que vem ganhando força: procedimentos que não necessariamente mudam o formato do rosto de maneira imediata, mas procuram melhorar sua aparência de forma progressiva.
A estética está mudando de “transformação” para “manutenção”?
Para especialistas, a discussão atual não deve ser resumida a uma disputa entre ácido hialurônico e bioestimuladores.
Cada produto possui indicações diferentes. O ácido hialurônico pode ser utilizado quando existe necessidade de restaurar ou criar determinado volume, enquanto os bioestimuladores podem ser considerados quando o objetivo principal está relacionado à qualidade, firmeza e estímulo de colágeno.
A própria ASPS destaca que os diferentes tipos de preenchedores apresentam características e finalidades distintas. (American Society of Plastic Surgeons)
A tendência de resultados mais discretos também aparece nos dados do setor. Em seu relatório sobre procedimentos de 2023, a ASPS apontou que o interesse por tratamentos minimamente invasivos continuava forte e citou a busca por resultados sutis entre os fatores relacionados à procura por procedimentos estéticos. (American Society of Plastic Surgeons)
Remover o preenchimento não significa abandonar a estética
Para quem já possui ácido hialurônico e deseja uma aparência mais natural, a primeira etapa deve ser uma avaliação individualizada.
Em alguns casos, o profissional pode recomendar simplesmente não realizar novas aplicações e aguardar a evolução do produto. Em outros, pode existir indicação de dissolução com hialuronidase. Também há situações em que a estratégia mais adequada é combinar diferentes tecnologias e procedimentos, dependendo das características da pele e da anatomia facial.
Por isso, a ideia de que todo preenchimento antigo precisa ser removido para iniciar um tratamento com bioestimuladores não é uma regra médica.
Naturalidade virou palavra-chave
A mudança mais importante talvez esteja justamente na percepção do que significa um bom resultado estético.
Em vez de alterar completamente os contornos do rosto, muitos pacientes passaram a procurar procedimentos capazes de preservar sua identidade facial, melhorar a qualidade da pele e produzir mudanças que não sejam imediatamente perceptíveis como resultado de um procedimento.
O preenchimento com ácido hialurônico, portanto, não desapareceu. O que parece estar mudando é a forma como ele é utilizado.
A estética caminha para um modelo cada vez mais individualizado, no qual menos pode significar mais. E, nesse cenário, os bioestimuladores de colágeno ganham espaço não necessariamente para substituir o ácido hialurônico, mas para ampliar as possibilidades de tratamentos com resultados graduais e naturais.
A indicação, entretanto, deve ser feita por profissional habilitado, após avaliação da anatomia facial, histórico de procedimentos e objetivos do paciente. Afinal, naturalidade não depende apenas do produto escolhido, mas principalmente de indicação, técnica, quantidade e planejamento.