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Te Ajudo a Recuperar o Cabelo sem Cirurgia: Dr. Luan Almeida Revela os Avanços da Medicina Regenerativa Capilar

A queda de cabelo e o afinamento dos fios estão entre as queixas que mais impactam a autoestima e a qualidade de vida. Durante muito tempo, falar em recuperação capilar significava, quase automaticamente, pensar em transplante. Mas a evolução da medicina capilar vem ampliando esse olhar e trazendo novas possibilidades para pacientes que desejam tratar a queda, preservar os fios e, em determinados casos, evitar uma intervenção cirúrgica.

É nesse cenário que se destaca o trabalho do Dr. Luan Almeida, médico tricologista especializado em medicina regenerativa capilar. Com uma trajetória iniciada dentro da dermatologia, o especialista encontrou na tricologia um universo de possibilidades terapêuticas que vai muito além do transplante.

Dr. Luan, sua trajetória na tricologia começou dentro da dermatologia. O que despertou seu interesse pelo universo capilar e fez você decidir se dedicar exclusivamente a essa área?

Eu me interessei pela tricologia quando percebi a quantidade de possibilidades diferentes de tratamento e os múltiplos braços tecnológicos que existem dentro da área. Poucas pessoas, inclusive dentro da própria medicina, conhecem de fato tudo o que podemos fazer dentro da medicina capilar.

Muitas vezes, ficamos presos à ideia de que o transplante capilar é a única solução, mas o universo da tricologia é imenso e proporciona inúmeras possibilidades de tratamento. Foi justamente essa diversidade que despertou meu interesse e me fez querer me aprofundar cada vez mais nessa área.

Quando falamos em recuperação capilar, muitas pessoas associam imediatamente ao transplante. Qual é a diferença entre o seu trabalho com medicina regenerativa capilar e um transplante capilar tradicional?

Eu gosto muito dessa pergunta e a escuto diariamente. Sinto que também é meu papel ajudar a esclarecer essa diferença.

No transplante capilar, realizamos basicamente a realocação de cabelo de um local, que chamamos de área doadora, para uma área receptora. Porém, o transplante não trata necessariamente a causa da queda ou do afinamento capilar.

Na medicina regenerativa capilar, buscamos, por meio de diferentes ferramentas disponíveis na medicina, atuar justamente na base do problema. E qual é o risco de uma pessoa realizar um transplante sem tratar a causa da queda? Com o passar dos anos, ela pode perder parte do resultado do transplante ou apresentar redução da densidade dos folículos vizinhos que não foram tratados.

Por isso, é relativamente comum que alguns pacientes realizem mais de um transplante ao longo da vida. A proposta da tricologia regenerativa é oferecer alternativas de tratamento para pacientes que ainda não possuem indicação de transplante ou que desejam preservar seus resultados sem necessariamente recorrer a novas cirurgias.

Você trabalha com tratamentos como Plasma Rico em Plaquetas e exossomos. Como essas terapias atuam no couro cabeludo e em quais situações elas podem ser consideradas?

Gosto de fazer uma comparação bastante simples para explicar isso. Imagine que cada fio de cabelo seja uma planta e que o folículo seja a raiz. Na calvície, essa raiz vai ficando progressivamente enfraquecida.

Os tratamentos regenerativos, como o Plasma Rico em Plaquetas e os exossomos, não criam uma nova raiz. Eles buscam melhorar o ambiente ao redor daquela raiz e os sinais envolvidos no funcionamento do folículo, favorecendo a produção de um fio mais forte.

O Plasma Rico em Plaquetas, conhecido como PRP, é produzido a partir do próprio sangue do paciente. Concentramos as plaquetas, que liberam diversos fatores de crescimento. Podemos entendê-lo como um concentrado de sinais de reparo, que pode favorecer processos relacionados à vascularização, à atividade celular e à manutenção do folículo na fase de crescimento.

Os exossomos funcionam de uma maneira um pouco diferente. Podemos apresentá-los como mensageiros microscópicos entre as células. Eles carregam moléculas sinalizadoras capazes de modular processos relacionados à inflamação, regeneração e funcionamento do folículo.

Em vez de pensar simplesmente em “nutrir o cabelo”, a ideia é modificar a comunicação e o ambiente em que aquele cabelo está crescendo.

Um dos seus principais objetivos é ajudar o paciente a recuperar o cabelo sem cirurgia. Até que ponto é possível tratar a causa da queda e da calvície antes de considerar um procedimento cirúrgico?

De maneira geral, sem avaliar individualmente cada paciente, eu gosto de dizer que quem ainda não apresenta aquela calvície muito avançada, com o couro cabeludo extremamente exposto, pode ter indicação para tratamentos de medicina regenerativa. Isso porque, em casos mais avançados, pode existir uma redução importante ou até ausência de folículos viáveis.

Também temos pacientes que já realizaram transplante capilar e não querem perder os resultados ou desejam evitar novas cirurgias no futuro. E, talvez o mais importante, temos aqueles que perceberam os primeiros sinais da calvície e não querem permitir que a situação evolua até o ponto de necessitar de uma cirurgia.

É fundamental lembrar que a calvície é uma condição crônica e exige acompanhamento e cuidado contínuos. Não podemos considerar o transplante como uma solução única e permanente para todos os problemas capilares.

Você construiu uma trajetória bastante rápida na tricologia e hoje desenvolve seu próprio método de tratamento. Quais são os principais pilares que considera indispensáveis para um tratamento regenerativo capilar individualizado?

Eu gosto de trabalhar com quatro pilares essenciais. O primeiro é o tratamento oral, para o qual temos diversas opções e possibilidades. Eu não acredito em uma abordagem baseada em monoterapia, porque cada paciente apresenta necessidades diferentes.

O segundo pilar é o tratamento tópico, que pode envolver formulações personalizadas para serem utilizadas diariamente no couro cabeludo. O terceiro é a reposição de vitaminas e minerais fundamentais para a formação adequada do cabelo. E o quarto são os procedimentos de medicina regenerativa capilar.

Antes de tudo isso, ainda existe a possibilidade de realizarmos um teste genético especificamente voltado para a saúde capilar. Com ele, podemos avaliar a sensibilidade do paciente aos genes relacionados à calvície e também aspectos relacionados à absorção de vitaminas e minerais importantes para a formação do cabelo.

Isso permite direcionar e personalizar muito mais o tratamento. Não precisamos mais tratar às cegas.

Além da atuação clínica, você também está investindo na formação de outros médicos por meio do seu fellow. Por que a educação médica e a troca de conhecimento são tão importantes para o avanço da tricologia no Brasil?

Eu sempre amei a área científica e a educação. Depois que me formei, fui preceptor na área de urgência e emergência e, na tricologia, sinto ainda mais que preciso exercer esse papel.

A tricologia é uma área extremamente nova no Brasil e ainda existe muito a ser descoberto e desenvolvido. Eu busco formações no mundo inteiro e procuro trazer esse conhecimento para os meus pacientes e alunos, justamente porque sinto que ainda se conhece pouco sobre os tratamentos médicos para o cabelo no nosso país.

Acredito que também é minha responsabilidade contribuir para a evolução desse cenário, formando profissionais mais preparados e ampliando o acesso a informações de qualidade.

Atualmente, você está à frente do Pilar de Tricologia da Casa Conceito Wellness. O que esse projeto representa para você e como a integração entre beleza, bem-estar, cultura e medicina pode transformar a experiência do paciente?

Quando me convidaram para fazer parte do projeto, senti que ele representava exatamente aquilo que eu queria oferecer aos meus pacientes.

O ambiente é infinitamente mais acolhedor e proporciona uma sensação diferente daquela que normalmente encontramos em uma clínica tradicional. Unimos um conceito que vem crescendo na Europa, com os chamados clubes de wellness, que integram diferentes frentes de cuidado relacionadas à saúde, à beleza e ao bem-estar.

Além de reunir alguns dos principais profissionais de São Paulo na área da beleza, incluindo grandes nomes da área de hairstyling, agora temos também a área médica, que complementa tecnicamente toda essa estrutura.

Acredito que essa integração transforma a experiência do paciente porque permite enxergar a pessoa de maneira mais completa, e não apenas tratar uma queixa isoladamente.

Seus próximos passos já envolvem possibilidades de atuação internacional, incluindo Miami, Europa e Dubai. Quais são seus planos para levar seu trabalho em tricologia e medicina regenerativa capilar para outros mercados?

Hoje, já atendo pacientes de mais de 20 países ao redor do mundo. Por isso, vejo uma necessidade cada vez maior de abrir agendas e criar estruturas específicas de atendimento nesses mercados.

A ideia é atuar tanto diretamente no atendimento aos pacientes quanto na educação e capacitação de profissionais locais sobre essa área tão promissora da medicina regenerativa.

Miami, Europa e Dubai estão entre os mercados que fazem parte dos meus próximos planos. Quero levar não apenas o atendimento, mas também conhecimento, formação e uma visão mais ampla sobre as possibilidades da tricologia moderna.

A medicina capilar está passando por uma transformação importante. Cada vez mais, entendemos que cuidar do cabelo não significa apenas pensar em substituir fios que já foram perdidos, mas compreender o que está acontecendo com o folículo, identificar as causas da queda e agir de maneira precoce e personalizada.

Para o Dr. Luan Almeida, o futuro da tricologia está justamente nessa combinação entre diagnóstico, tecnologia, medicina regenerativa e acompanhamento contínuo. Mais do que buscar soluções depois que a perda já aconteceu, a proposta é preservar o que ainda existe e criar estratégias para manter a saúde capilar ao longo do tempo.

Com atuação clínica, dedicação à educação médica e planos de expansão internacional, o especialista vem construindo uma trajetória pautada pela inovação e pela busca por novas possibilidades dentro da medicina capilar. Afinal, em muitos casos, recuperar o cabelo pode começar muito antes de pensar em uma cirurgia.

Foto: @fracaodotempo

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