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Remédio para Insônia Considerado entre os Mais Eficazes em Estudo Ligado a Oxford Chega ao Brasil

Uma nova opção para o tratamento da insônia começa a ganhar espaço no Brasil. O medicamento Dayvigo, à base de lemborexante, será comercializado no país pela Eurofarma em parceria com a japonesa Eisai.

A chegada do medicamento amplia as alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades para iniciar ou manter o sono. Diferentemente de remédios tradicionais como o zolpidem e alguns benzodiazepínicos, o lemborexante atua sobre o sistema da orexina, um neurotransmissor envolvido na manutenção do estado de vigília. (site.cff.org.br)

Como o medicamento funciona?

O lemborexante pertence à classe dos antagonistas dos receptores de orexina. Em vez de produzir uma sedação generalizada, o medicamento bloqueia a ação dos receptores OX1 e OX2, reduzindo os sinais cerebrais relacionados à manutenção da vigília.

Na prática, o objetivo é facilitar o início do sono e ajudar o paciente a permanecer dormindo durante a noite.

O medicamento já recebeu aprovação da Anvisa para uso em adultos. A dose inicial recomendada é de 5 mg uma vez ao dia, próxima ao horário de dormir, podendo chegar a 10 mg conforme resposta e tolerabilidade, sempre sob orientação médica. O paciente deve ter pelo menos sete horas disponíveis para dormir. (site.cff.org.br)

O que Oxford tem a ver com o medicamento?

O destaque internacional do lemborexante está relacionado a uma grande revisão publicada na revista científica The Lancet, que comparou diferentes tratamentos farmacológicos para insônia.

A análise, conduzida por pesquisadores ligados à Universidade de Oxford, avaliou 36 tratamentos e colocou o lemborexante entre as opções com melhor combinação de eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade. (site.cff.org.br)

Isso, porém, não significa que o medicamento seja necessariamente “o melhor remédio para insônia” para todas as pessoas. A resposta varia de acordo com as características de cada paciente, e a escolha do tratamento precisa considerar histórico clínico, outros medicamentos utilizados e possíveis contraindicações.

Uma nova alternativa ao zolpidem?

O mecanismo de ação é uma das principais diferenças em relação ao zolpidem.

O lemborexante faz parte de uma classe conhecida como DORA, sigla em inglês para antagonistas duplos dos receptores de orexina. Já o zolpidem pertence à classe dos chamados medicamentos Z, que atuam sobre receptores relacionados ao GABA no sistema nervoso central.

A chegada de medicamentos que atuam sobre a orexina tem despertado interesse justamente pela possibilidade de oferecer uma alternativa farmacológica para determinados pacientes com insônia.

Medicamento não substitui a avaliação médica

Apesar da novidade, especialistas ressaltam que o tratamento da insônia não deve começar necessariamente com medicamentos.

A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é considerada uma das principais abordagens para casos de insônia crônica. Também é importante investigar fatores que podem estar contribuindo para o problema, como ansiedade, depressão, apneia do sono, uso de estimulantes, álcool, alterações de rotina e outros distúrbios do sono.

A própria literatura científica aponta que o tratamento deve ser individualizado. Estudos com antagonistas de orexina mostram benefícios no tempo de sono e na redução do período em que o paciente permanece acordado durante a noite, mas também registram possíveis efeitos adversos, como sonolência, fadiga e dor de cabeça. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)

Brasil ganha mais uma opção

A chegada do lemborexante representa mais um avanço no tratamento farmacológico da insônia no país. O medicamento se junta a uma classe que vem sendo estudada como alternativa aos tratamentos tradicionais.

Ainda assim, não é recomendado iniciar o uso por conta própria. Medicamentos para insônia devem ser utilizados com prescrição e acompanhamento profissional, principalmente porque a dificuldade para dormir pode ser consequência de outra condição que precisa ser identificada e tratada.

A novidade amplia as opções disponíveis, mas não transforma o medicamento em uma solução universal para a insônia. O tratamento mais adequado depende da causa e das características de cada paciente.

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