O hábito de passar longas horas diante de dispositivos digitais, como celulares e tablets, tem gerado um alerta crescente nos consultórios de oftalmologia pediátrica. A exposição contínua a essas telas reduz a frequência do piscar, um movimento involuntário essencial para a lubrificação ocular, resultando em quadros de olho seco cada vez mais comuns entre o público infantojuvenil.
A condição ocorre quando a superfície ocular perde sua hidratação natural, seja por uma produção insuficiente de lágrimas ou pela evaporação acelerada do filme lacrimal. Pacientes costumam relatar sintomas desconfortáveis, como a sensação de presença de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e episódios de visão embaçada, que podem impactar o bem-estar diário.
Impactos do tempo de tela na saúde ocular
Segundo a oftalmologista Ana Paula Silverio, o problema é agravado pela proximidade dos dispositivos em relação ao rosto. Ao focar intensamente em conteúdos digitais, o indivíduo diminui drasticamente o número de vezes que fecha as pálpebras, o que acelera a evaporação das lágrimas e compromete a saúde da córnea.
A especialista, que participou de debates no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador, destaca que as queixas chegam aos consultórios acompanhadas de um aumento no piscar reflexo, uma tentativa do organismo de compensar o desconforto. O evento, que ocorre até o dia 12 de setembro, reforça a necessidade de conscientização sobre o uso consciente da tecnologia.
Riscos específicos para adolescentes
Os adolescentes formam o grupo de maior risco devido à alta carga horária dedicada ao uso de smartphones, que possuem telas menores e exigem maior esforço visual. Além disso, o hábito de utilizar esses aparelhos em ambientes com pouca ou nenhuma iluminação, como dentro dos quartos, potencializa os danos à visão.
A rotina moderna, que integra tablets e computadores tanto no ambiente escolar quanto no recreativo, dificulta a restrição do tempo de tela. Pais e responsáveis frequentemente buscam auxílio médico para mediar o uso excessivo, enfrentando o desafio de equilibrar a necessidade tecnológica com a preservação da saúde ocular dos jovens.
Recomendações e prevenção
Embora a tecnologia seja parte indissociável da vida contemporânea, especialistas defendem a moderação como principal estratégia de prevenção. A Sociedade Brasileira de Pediatria estabelece como diretriz um limite máximo de duas horas diárias de exposição a telas para crianças acima de 6 anos e adolescentes.
A oftalmologista Ana Paula Silverio ressalta que, embora seja difícil eliminar o contato com dispositivos digitais, o controle rigoroso do tempo de exposição é fundamental. A orientação médica visa mitigar os efeitos colaterais da era digital, garantindo que o desenvolvimento visual das crianças não seja prejudicado pelo uso indiscriminado de eletrônicos.