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Emagrecer antes da fertilização in vitro realmente aumenta as chances de gravidez?

Emagrecer antes da fertilização in vitro realmente aumenta as chances de gravidez?
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A recomendação de perder peso para mulheres com obesidade que buscam tratamento para engravidar é uma prática comum na medicina, baseada na premissa de que o excesso de peso impacta negativamente a fertilidade. A obesidade está frequentemente ligada a alterações hormonais, resistência à insulina e processos inflamatórios que podem dificultar a concepção. No entanto, a ciência atual sugere que a relação entre perda de peso e o sucesso da fertilização in vitro (FIV) é mais complexa do que se supunha anteriormente.

O impacto real da perda de peso nos resultados da FIV

Estudos recentes trazem uma perspectiva cautelosa sobre o tema. Uma meta-análise publicada em 2025, que reuniu 12 estudos randomizados com 1.921 mulheres, indicou que, embora intervenções para perda de peso possam elevar as chances de concepção espontânea, o benefício direto no nascimento de bebês após a FIV permanece incerto. Um ensaio clínico de 2026, com 273 participantes, corroborou essa visão ao não encontrar diferenças significativas nas taxas de nascidos vivos entre grupos que realizaram dietas restritivas e aqueles que mantiveram cuidados habituais.

Embora o emagrecimento não garanta, por si só, um resultado superior na fertilização, ele continua sendo uma estratégia valiosa para a saúde geral. A redução de peso auxilia no controle da pressão arterial e da glicemia, fatores que diminuem riscos gestacionais importantes. Pesquisas sugerem que a mudança na composição corporal, especificamente a redução da gordura, pode ser um indicador mais relevante para o sucesso do que a simples oscilação numérica na balança.

O papel das novas medicações no planejamento reprodutivo

O surgimento de medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida, conhecidos como agonistas do GLP-1, revolucionou o tratamento da obesidade. Contudo, a aplicação dessas substâncias no contexto da reprodução assistida ainda carece de evidências robustas. Não há comprovação científica de que o uso desses fármacos antes da FIV melhore a qualidade dos óvulos ou a taxa de implantação embrionária.

Além da falta de dados conclusivos, há uma questão de segurança fundamental: esses medicamentos não são indicados durante a gestação. A recomendação clínica atual é de que o tratamento seja interrompido meses antes de uma tentativa de gravidez. Portanto, qualquer uso dessas medicações deve ser estritamente monitorado por especialistas, evitando a automedicação por pacientes que planejam o procedimento.

O fator tempo e a reserva ovariana

Um dos pontos mais críticos na decisão de adiar a FIV para priorizar o emagrecimento é o fator idade. A fertilidade feminina declina com o passar dos anos devido à redução da qualidade e da quantidade de óvulos, um processo biológico que o emagrecimento não consegue reverter. Para mulheres em idades reprodutivas mais avançadas, postergar o início do tratamento pode representar a perda de uma janela de oportunidade preciosa.

A estratégia ideal deve ser personalizada, considerando o histórico clínico, a reserva ovariana e o grau de obesidade da paciente. Como aponta a ginecologista Stephanie Majer, o foco central não deve ser apenas o peso, mas a busca pelas melhores condições metabólicas possíveis sem comprometer o tempo reprodutivo, que é um recurso limitado.

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