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Especialistas em Fortaleza criticam repressão e pedem políticas de drogas com justiça social

Especialistas em Fortaleza criticam repressão e pedem políticas de drogas com justiça social
© Fábio Carvalho/Arquivo pessoal

Durante a 2ª edição da feira Febre de Arte, realizada em Fortaleza, especialistas e ativistas convocaram a população a priorizar, nas próximas eleições, candidatos comprometidos com a reformulação das políticas sobre drogas. O debate, sediado no Anfiteatro Sérgio Motta, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, enfatizou a necessidade de propostas que integrem a saúde pública à justiça social, superando o atual modelo repressivo.

A urgência de novas políticas sobre drogas

A médica de família e comunidade Magda Almeida, docente da Universidade Federal do Ceará (UFC), criticou a visão ideológica que simplifica o debate ao estigma de que a substância é puramente nociva. A especialista destacou que a denominada “guerra às drogas” no Brasil tem como principais alvos a população negra e periférica, perpetuando ciclos de exclusão.

No âmbito clínico, a médica alertou para os riscos de medicamentos convencionais, como a pregabalina, frequentemente prescritos para quadros de ansiedade e dor crônica que poderiam ser tratados com terapias à base de cannabis. Segundo Magda Almeida, a indústria farmacêutica falha ao ignorar a individualidade biológica dos pacientes, impondo dosagens genéricas que ignoram as respostas específicas de cada organismo.

Impactos sociais e o custo da proibição

O debate também abordou a relação direta entre a seletividade penal e o fortalecimento de facções criminosas. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que 41,2% da população brasileira percebe a presença do crime organizado em seus bairros, uma realidade que afeta quase 69 milhões de pessoas. A repressão focada no encarceramento, segundo os palestrantes, não apenas falha em reduzir o narcotráfico, como sobrecarrega financeiramente as famílias dos detentos.

O advogado Italo Coelho, militante no Ceará Saúde Livre, apontou uma contradição ética: enquanto a indústria farmacêutica lucra com a venda de produtos canábicos em farmácias, indivíduos continuam sendo criminalizados por posse de pequenas quantidades. Esse cenário é agravado pelo custo econômico da proibição, que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), gera prejuízos anuais de cerca de R$ 50 bilhões relacionados a homicídios, representando 0,77% do PIB nacional.

Articulação e mobilização coletiva

A Febre de Arte foi organizada pela Agência Liamba 360° em parceria com a Adapta Associação Canábica. A edição deste ano contou com a colaboração da Auê Feira, ampliando o alcance do evento por meio da “Rua das Associações”, um espaço dedicado a organizações do Nordeste que prestam suporte a pacientes que utilizam a cannabis medicinal.

Representantes da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa) reforçaram que a mudança exige uma ruptura com a lógica de violência que domina a segurança pública há mais de um século. O evento reafirmou a importância da participação política como ferramenta indispensável para garantir direitos e reduzir os danos causados por uma legislação considerada obsoleta por especialistas e movimentos sociais. Mais informações sobre o tema podem ser consultadas na Plataforma Brasileira de Política de Drogas.

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