Por Priscilla Ávila, jornalista e editora-chefe do Pulsar Brasil
O mercado de estética no Brasil movimentou US$ 3,4 bilhões em 2023 e deve alcançar US$ 9,8 bilhões até 2030, o maior da América Latina, segundo a Grand View Research. Por trás desse avanço está a preferência crescente por procedimentos minimamente invasivos, terreno em que a harmonização facial se consolidou. É aí, onde a linha entre o natural e o excessivo se decide em milímetros, que a biomédica Polyana Antunes construiu sua trajetória.
Formada em Biomedicina pela Universidade Positivo, Polyana atua na estética desde 2016 e faz da harmonização facial o centro do seu trabalho. À frente da Clínica Doutora Polyana Antunes, defende uma ideia que resiste à tentação do exagero: o bom resultado é aquele que devolve equilíbrio sem apagar a identidade de quem senta na cadeira.
Agora, ela abre uma nova frente. Ao lado de Lídia Merlin, assume a sociedade da Omni Aesthetic Academy, escola voltada à formação de profissionais da estética. A proposta nasce com ambição internacional. Depois de ministrar aula em uma pós-graduação em Orlando, Polyana prepara para março um curso em Madri com a técnica em cadáver Flash Frozen, vivência ainda inédita no Brasil e considerada uma das mais completas para o estudo da anatomia aplicada.
Nesta entrevista ao Pulsar Brasil, ela fala sobre o olhar clínico que antecede qualquer aplicação, a recusa aos padrões prontos e o legado que pretende deixar tanto na clínica quanto na formação de novos profissionais.
Sua atuação na Biomedicina Estética teve início em 2016, recém formada pela Universidade Positivo. O que aproximou você da harmonização facial e como enxerga o percurso construído desde então?
Minha história com a estética começou muito cedo e, desde o início, eu sempre tive uma inquietação muito grande em buscar conhecimento e entender profundamente aquilo que eu estava fazendo. Em 2016, recém-formada em Biomedicina pela Universidade Positivo, comecei minha trajetória na Biomedicina Estética e fui me encontrando cada vez mais na harmonização facial.
O que me encantou foi perceber que não se tratava simplesmente de transformar um rosto, mas de entender proporções, estruturas, envelhecimento, identidade e, principalmente, o que fazia sentido para cada pessoa.
Quando olho para esses anos, vejo uma trajetória construída com muito estudo, prática, erros, aprendizados e evolução. Foram anos de dedicação que me fizeram entender que, na estética, nunca estamos prontos. Quanto mais eu estudo, mais eu percebo o quanto ainda existe para aprender.
Hoje, além de atuar na clínica, também tenho a oportunidade de ensinar e compartilhar conhecimento com outros profissionais. E acho que essa é uma das partes mais bonitas dessa trajetória: perceber que aquilo que começou como um sonho profissional se transformou em algo muito maior.
Você costuma dizer que a harmonização facial vai além de transformar características. Como define esse olhar clínico que compreende o rosto como um todo antes de decidir onde e quanto intervir?
Para mim, harmonização facial é construção. Antes de pensar em produto, técnica ou quantidade, eu preciso entender aquele rosto como um todo.
Eu observo estrutura óssea, proporções, assimetrias, envelhecimento, qualidade da pele, sustentação e principalmente a identidade daquela pessoa. Muitas vezes, o que incomoda o paciente não está necessariamente naquele ponto que ele identifica como problema.
Por isso, meu olhar clínico começa muito antes da aplicação. Eu preciso entender o que realmente aquele rosto precisa e, principalmente, o que ele não precisa.
Eu acredito muito que mais quantidade não significa necessariamente um resultado melhor. Existe uma quantidade correta para cada rosto, e o meu papel é saber onde colocar, quanto colocar e, muitas vezes, quando não colocar.
Na Clínica Doutora Polyana Antunes, seu trabalho tem como marca resultados naturais e individualizados. De que forma você equilibra técnica e leitura de cada paciente para preservar a identidade de quem chega até você?
Eu acredito que o melhor resultado é aquele em que a pessoa continua sendo reconhecida como ela mesma, apenas na sua melhor versão.
A técnica é indispensável, mas ela precisa estar a serviço de uma leitura individual. Não existe uma fórmula que funcione para todos os rostos. Cada pessoa tem uma anatomia, uma estrutura, uma história e uma expectativa diferente.
Por isso, eu não gosto de trabalhar pensando em padrões prontos. O meu objetivo não é criar rostos iguais, mas entender o que pode ser aprimorado em cada paciente sem apagar aquilo que torna aquela pessoa única.
Para mim, harmonização não é sobre mudar quem você é. É sobre melhorar e ainda parecer você mesma.

Uma frase resume bem a sua postura profissional: a de que nunca estamos prontos. Como essa busca constante por conhecimento se traduz na prática, dentro do consultório?
Eu realmente acredito que nunca estamos prontos. A estética evolui muito rápido, surgem novas tecnologias, novos produtos, novas técnicas e, principalmente, novos estudos.
Então, para mim, estudar não é uma etapa que termina quando recebemos um diploma. É parte da profissão.
Estou sempre buscando cursos, congressos, experiências práticas e novas referências. E não estudo apenas para aprender uma nova técnica de aplicação. Busco compreender cada vez mais anatomia, fisiologia, envelhecimento, segurança e tudo aquilo que pode melhorar a tomada de decisão clínica.
Acredito que um profissional que para de estudar também para de evoluir. E, quando estamos trabalhando com pessoas, precisamos ter responsabilidade suficiente para entender que conhecimento nunca pode ser tratado como algo concluído.
Ao lado de Lídia Merlin, você inicia uma nova etapa como sócia da Omni Aesthetic Academy. Qual propósito deu origem à academia e como ela dialoga tanto com quem está começando quanto com quem já atua no mercado?
A Omni Aesthetic Academy nasceu de uma vontade muito grande de fazer educação de uma forma diferente.
Eu e a Lídia temos uma trajetória de anos dentro da estética e sabemos, na prática, os desafios que um profissional enfrenta quando está começando e também quando já está no mercado e sente que precisa dar um próximo passo.
Por isso, a nossa proposta é oferecer muito mais do que ensinar alguém a executar uma técnica. Queremos formar profissionais com olhar clínico, raciocínio, segurança e capacidade de tomar decisões.
Para quem está começando, queremos oferecer uma base sólida. Para quem já atua, queremos proporcionar aperfeiçoamento, novas experiências e acesso a conhecimentos que possam ampliar sua atuação.
A Omni nasce com essa visão de ir além do injetor. Não queremos formar apenas mãos que aplicam. Queremos formar profissionais que entendam o que estão fazendo e, principalmente, por que estão fazendo.
Recentemente, você esteve em Orlando para ministrar uma aula em uma pós-graduação. O que essa experiência acrescentou à sua visão sobre ensino e formação?
Estar em Orlando como professora foi uma experiência muito especial para mim. Existe uma diferença enorme entre estudar fora e ter a oportunidade de estar do outro lado, ensinando e compartilhando aquilo que você construiu ao longo da sua trajetória.
Essa experiência me mostrou ainda mais a importância de uma formação que una conhecimento teórico e prática. Quando ensinamos, percebemos que não basta dominar uma técnica. Precisamos saber explicar, raciocinar, antecipar possibilidades e transmitir segurança para o aluno.
Também foi uma experiência que ampliou minha visão sobre o quanto nós, profissionais brasileiros, temos conhecimento e capacidade de ocupar espaços importantes internacionalmente.
Voltei ainda mais motivada a continuar estudando e, principalmente, a levar essa visão para os meus alunos.
Para março, está previsto um curso em Madri voltado à técnica em cadáver Flash Frozen, uma vivência ainda inédita no Brasil. O que torna essa formação tão valiosa para os alunos e o que representa conduzir esse projeto pela sua própria escola?
A formação em cadáver Flash Frozen proporciona uma experiência que dificilmente pode ser reproduzida em uma aula convencional. Ter contato direto com a anatomia em uma estrutura real permite ao profissional compreender de uma maneira muito mais profunda aquilo que muitas vezes estudamos apenas em imagens e modelos.
Para quem trabalha com harmonização facial, anatomia não é apenas conhecimento. É segurança. Quanto mais conseguimos compreender estruturas, planos, vasos, músculos e particularidades anatômicas, mais conscientes se tornam as nossas decisões.
E conduzir esse projeto pela Omni Aesthetic Academy tem um significado ainda maior. É muito especial poder construir uma escola que já nasce com uma proposta de oferecer experiências internacionais e formações que realmente agreguem à carreira dos profissionais.
É um projeto que representa crescimento, mas também responsabilidade. Estamos colocando o nome da nossa escola em uma experiência que queremos que seja transformadora para quem participar.

Hoje, você transforma a autoestima de pacientes e, ao mesmo tempo, a carreira de outros profissionais por meio do conhecimento. Olhando adiante, que impacto deseja deixar tanto na estética quanto na formação de quem vem depois de você?
Eu quero deixar um legado.
Na clínica, quero continuar mostrando que é possível trabalhar com estética sem perder a naturalidade, a individualidade e o olhar humano. Quero que as pessoas entendam que harmonização não precisa significar transformação excessiva. Pode significar resgatar estrutura, equilíbrio, autoestima e confiança.
Na educação, quero formar profissionais que sejam melhores do que eu fui quando comecei. Profissionais que tenham acesso ao conhecimento, que questionem, que estudem, que tenham responsabilidade e que entendam que ser um bom profissional vai muito além de saber aplicar.
Se, daqui a alguns anos, eu puder olhar para trás e perceber que ajudei a transformar a forma como algumas pessoas enxergam a estética e que também contribuí para formar profissionais mais preparados, seguros e conscientes, vou sentir que todo esse caminho valeu a pena.
Porque, para mim, sucesso não é apenas aquilo que eu consigo construir para mim. É também aquilo que consigo construir e deixar para quem vem depois.
Do consultório à sala de aula, Polyana Antunes sustenta um mesmo princípio: técnica sem leitura individual não constrói um bom resultado. É essa convicção que atravessa sua trajetória e que ela pretende transmitir a cada profissional formado pela Omni Aesthetic Academy. Para Polyana, o futuro da estética não se mede pela quantidade de procedimentos, mas pela consciência de quem os conduz.
Foto: @melolatelie