Quando se fala em AVC, o imaginário popular costuma associar a doença a homens mais velhos. Essa percepção, porém, esconde um perigo real: o acidente vascular cerebral é uma das principais causas de morte e de incapacidade entre as mulheres, e carrega fatores de risco específicos que, por serem pouco conhecidos, acabam negligenciados. Entender essas particularidades é um passo importante para a prevenção.
Boa parte do risco feminino está ligada a fases e condições próprias da vida da mulher. Complicações na gravidez, como a pré-eclâmpsia, o uso de anticoncepcionais hormonais, sobretudo combinado ao cigarro, a terapia de reposição hormonal e a enxaqueca com aura são fatores que podem aumentar as chances de um AVC e que nem sempre recebem a devida atenção. Somada a isso, a maior longevidade feminina amplia a exposição ao risco ao longo dos anos.
O reconhecimento rápido dos sinais continua sendo decisivo, e vale para todos. Boca torta, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender, perda súbita de visão e dor de cabeça intensa e repentina são alertas que pedem socorro imediato. Diante de qualquer um deles, a orientação é ligar na hora para o SAMU, no número 192, porque, no AVC, cada minuto perdido representa mais lesão no cérebro.
A boa notícia é que grande parte dos casos pode ser prevenida. Controlar a pressão arterial, não fumar, manter hábitos saudáveis e fazer acompanhamento médico, especialmente ao usar hormônios ou diante de fatores de risco conhecidos, reduz significativamente as chances. Informar as mulheres de que o AVC também é com elas, e que existem riscos próprios a observar, é uma forma concreta de salvar vidas que ainda são perdidas por falta de atenção a sinais que o corpo dá.