Em um cenário em que a estética facial busca cada vez mais equilíbrio, sofisticação e naturalidade, a harmonização orofacial passa por uma nova fase: a valorização da identidade de cada paciente. Para a Dra. Rebecca Barros, beleza não significa seguir padrões, mas compreender as particularidades de cada rosto e encontrar caminhos que realcem seus melhores atributos.
Atuando entre São Paulo e Nova York, a dentista acompanha diferentes percepções e desejos relacionados à estética facial, sempre com um olhar atento à proporção, à segurança e à individualidade. Nesta entrevista à Pulsar Brasil, ela fala sobre planejamento, naturalidade, autoestima, tendências e os cuidados necessários na escolha de um profissional, além de compartilhar sua visão sobre uma estética que transforma sem apagar quem somos.
Dra. Rebecca, o que significa, para você, realizar uma harmonização orofacial com elegância e respeitando a individualidade de cada paciente?
Para mim, harmonização orofacial é, acima de tudo, entender que cada rosto é único. Elegância não está em criar um padrão de beleza, mas em valorizar as características que tornam cada pessoa especial. Meu objetivo é realçar a beleza, trazer equilíbrio e proporcionar um resultado sofisticado e natural, sem apagar a identidade do paciente.
Como você avalia as características do rosto de uma pessoa antes de definir quais procedimentos são realmente indicados?
A avaliação é o ponto de partida de todo o meu planejamento. Observo as proporções faciais, a simetria, os contornos, a estrutura óssea, a musculatura, a qualidade da pele e o processo de envelhecimento de cada rosto. Mas também considero algo fundamental: o que incomoda o paciente e o que ele deseja alcançar. A partir disso, consigo definir quais procedimentos realmente fazem sentido.
A harmonização orofacial passou por uma transformação nos últimos anos, saindo de resultados muito marcados para uma busca maior pela naturalidade. Como você enxerga essa mudança?
Vejo essa transformação de forma muito positiva. Acredito que estamos vivendo uma fase mais madura da harmonização. Durante um período, existia uma tendência a resultados muito padronizados, com excesso de volume e características muito semelhantes entre os rostos. Hoje, existe uma valorização muito maior da naturalidade, da proporção e da individualidade. Para mim, o melhor resultado é aquele em que as pessoas percebem que você está mais bonita, descansada e rejuvenescida, mas não conseguem identificar exatamente o que foi feito.

Quais são os principais cuidados que o paciente deve ter ao escolher um profissional para realizar procedimentos de harmonização orofacial?
Eu diria que o primeiro cuidado é escolher um profissional qualificado, habilitado e com experiência na área. Também é importante observar se ele realiza uma avaliação individualizada, se explica claramente as indicações, limitações e possíveis riscos de cada procedimento e se existe um planejamento. O paciente não deve escolher um profissional apenas pelo resultado de uma foto ou pelo número de seguidores. Técnica, conhecimento anatômico, segurança e responsabilidade são indispensáveis.
Como equilibrar a busca por autoestima e satisfação estética com expectativas realistas sobre os resultados?
A estética pode contribuir muito para a autoestima, mas é importante entender que nenhum procedimento deve ser tratado como uma promessa de perfeição. Meu papel é ouvir o paciente, compreender o que ele gostaria de melhorar e, ao mesmo tempo, explicar o que é possível fazer de maneira segura e harmônica. Quando existe essa relação de confiança e transparência, o resultado tende a ser muito mais satisfatório.
Existem tendências na harmonização orofacial que você acredita que vieram para ficar? E quais tendências você considera que devem ser evitadas?
Acredito que a naturalidade veio para ficar. A valorização da qualidade da pele, do contorno facial, da prevenção e de resultados personalizados também são caminhos que considero muito importantes. O que eu acredito que deve ser evitado é a padronização. Nem todo paciente precisa dos mesmos procedimentos, da mesma quantidade de produto ou do mesmo formato de rosto. A tendência mais bonita, para mim, é justamente não seguir uma tendência, mas respeitar aquilo que funciona para cada pessoa.

Atuando entre São Paulo e Nova York, você percebe diferenças na percepção de beleza e nos desejos dos pacientes de cada lugar?
Sim. Existem diferenças culturais na forma como a beleza é percebida e nos objetivos de cada paciente. Em São Paulo, percebo uma procura bastante grande por definição, contorno e rejuvenescimento. Em Nova York, existe uma valorização muito forte de resultados discretos e sofisticados, em que o procedimento não fique evidente. Mas também vejo uma tendência global muito clara: as pessoas querem se sentir mais bonitas, mas sem perder a própria identidade.
Para quem deseja começar a cuidar da estética facial, mas ainda tem receio de realizar procedimentos, qual seria a sua principal orientação?
Eu diria: comece pela avaliação, não pelo procedimento. Procure um profissional em quem você confie, converse sobre suas expectativas e entenda o que realmente é indicado para você. Não existe necessidade de transformar o rosto de uma vez. Muitas vezes, pequenas mudanças, quando bem planejadas e realizadas com técnica, conseguem proporcionar uma diferença enorme. Para mim, estética bem feita é aquela que faz você se olhar no espelho e continuar se reconhecendo, apenas se sentindo ainda melhor consigo mesma.

A visão da Dra. Rebecca Barros traduz uma estética cada vez mais consciente: aquela que não busca transformar pessoas em versões umas das outras, mas revelar, com equilíbrio e técnica, aquilo que cada rosto tem de único. Entre conhecimento, planejamento e sensibilidade, a harmonização orofacial encontra espaço para valorizar a beleza sem excessos e preservar aquilo que existe de mais importante em cada paciente: sua própria identidade.
Foto: Kaco Costa