PUBLICIDADE

Adidas amplia vendas na Copa, mas gastos derrubam ações da empresa

Produtos da Adidas à venda durante uma festa para assistir à Copa do Mundo de 2026, promovida pela Adidas no Brooklyn Bridge Park, em Nova York. Fotógrafo: Bing Guan/Bloomberg.
Produtos da Adidas à venda durante uma festa para assistir à Copa do Mundo de 2026, promovida pela Adidas no Brooklyn Bridge Park, em Nova York. Fotógrafo: Bing Guan/Bloomberg.

A Adidas registrou vendas recordes impulsionadas pela Copa do Mundo, mas o forte aumento dos investimentos em marketing acabou pressionando a rentabilidade da companhia e provocou uma reação negativa do mercado. O tema foi abordado em reportagem do InvestNews, que detalhou como os custos relacionados ao torneio impactaram o desempenho financeiro da fabricante alemã no segundo trimestre.

As ações da empresa chegaram a recuar até 18% durante o pregão desta quinta-feira (30), marcando a maior queda intradiária desde a abertura de capital da companhia, em 1995. O movimento ocorreu após a divulgação de um lucro operacional abaixo das estimativas dos analistas.

Entre abril e junho, a Adidas registrou lucro operacional de 574 milhões de euros, resultado 5% superior ao do mesmo período do ano anterior, mas inferior à expectativa do mercado, que projetava cerca de 620 milhões de euros.

Enquanto isso, a receita atingiu o recorde de 6,7 bilhões de euros, alta de 14% na comparação anual, refletindo o desempenho das vendas durante o Mundial.

Produtos da Adidas à venda durante uma festa para assistir à Copa do Mundo de 2026, promovida pela Adidas no Brooklyn Bridge Park, em Nova York. Fotógrafo: Bing Guan/Bloomberg.
Produtos da Adidas à venda durante uma festa para assistir à Copa do Mundo de 2026, promovida pela Adidas no Brooklyn Bridge Park, em Nova York. Fotógrafo: Bing Guan/Bloomberg.

Para fortalecer sua presença no principal evento esportivo do ano, a empresa elevou em aproximadamente 30% seus investimentos em marketing no trimestre, desembolsando cerca de US$ 1,15 bilhão. Segundo a companhia, houve um gasto adicional de 212 milhões de euros, concentrado principalmente em campanhas relacionadas à competição.

A estratégia incluiu o patrocínio de 14 seleções nacionais, entre elas Espanha e Argentina, o fornecimento da bola oficial do torneio, os uniformes da equipe de arbitragem e campanhas publicitárias estreladas pelo ator Timothée Chalamet e pelos jogadores Lionel Messi e Jude Bellingham.

Como parte da ofensiva comercial, a empresa também inaugurou uma loja dedicada ao futebol no American Dream Mall, em Nova Jersey, reforçando a estratégia de ampliar sua participação no mercado norte-americano, onde disputa espaço diretamente com a Nike.

O investimento trouxe resultados expressivos em volume de vendas. A fabricante informou ter comercializado quatro vezes mais camisas oficiais e o dobro de bolas em comparação com a edição anterior da Copa do Mundo. As receitas diretamente relacionadas ao torneio alcançaram aproximadamente 1,5 bilhão de euros, superando as projeções internas.

Apesar do crescimento das vendas, investidores demonstraram preocupação com a rentabilidade. A companhia manteve sua projeção de lucro operacional anual em cerca de 2,3 bilhões de euros, abaixo da expectativa do mercado, que estimava quase 2,5 bilhões de euros.

A empresa revisou apenas sua previsão de crescimento das receitas, passando a projetar expansão entre 9% e 10% em 2026. A companhia também informou que essa estimativa não considera eventuais reembolsos de tarifas de importação dos Estados Unidos, avaliados entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões.

Outro anúncio que chamou a atenção dos investidores foi a mudança na diretoria financeira. O atual CFO, Harm Ohlmeyer, deixará o cargo no fim do ano e será sucedido por Birgit Kretschmer. Analistas destacaram que a troca também contribuiu para aumentar a cautela do mercado em relação às perspectivas da companhia.

Durante conferência com jornalistas, o presidente-executivo da Adidas, Bjørn Gulden, afirmou não compreender a intensidade da reação dos investidores.

“Vejo o preço da ação e não entendo qual foi o mal-entendido. Estamos em uma posição muito melhor do que no início do ano.”

Segundo o executivo, os gastos extraordinários com marketing devem diminuir nos próximos trimestres. Ele afirmou que a estratégia adotada durante a Copa do Mundo teve como objetivo fortalecer a marca globalmente e ampliar sua presença em mercados estratégicos, especialmente na América do Norte e na América do Sul.

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

PUBLICIDADE