Você já teve a sensação de que está sempre atrasada para alguma coisa? Enquanto trabalha, sente que devia estar descansando; quando tenta descansar, sente que devia estar produzindo; e quando cuida de alguém, sente culpa por não estar cuidando de si mesma? Pois é… esse looping mental não vem sozinho. Ele traz a nossa velha conhecida: a ansiedade.
No consultório, ela tem batido ponto como funcionária do mês. E o motivo? Vivemos em um ritmo tão acelerado que parece que, se a gente piscar, o mundo anda três casas no tabuleiro e a gente fica para trás. É muita informação, muita comparação, muita cobrança… e muito pouco tempo (e paciência) para lidar com tudo isso.
A cobrança é real. Somos incentivados a ser mil em um: profissionais exemplares, mães incríveis, donas de casa organizadas, empreendedoras de sucesso, tudo isso com a unha feita, o cabelo hidratado e a pele iluminada, como se a gente tivesse saído direto de um comercial de xampu. Isso é humanamente impossível. Mas o cérebro ainda não percebeu isso.
Na verdade, apesar de todo o glamour dos neurônios, ele nem é tão espertinho quanto parece. Muitas vezes, funciona de forma bem primitiva: reage ao estresse como se a gente estivesse fugindo de um leão na savana, só que hoje o “leão” é o grupo do WhatsApp do trabalho, a notificação do banco te avisando que você está quase no cheque especial e o feed infinito do Instagram.
Ele não diferencia urgência real de urgência emocional. E, enquanto você tenta manter o controle de tudo, ele dispara o alarme interno: coração acelerado, tensão, insônia, ansiedade. Tudo isso porque ele ainda não entendeu que não dá para estar em todos os lugares ao mesmo tempo e tá tudo bem com isso.
A gente só precisa ensiná-lo, com cuidado, paciência e por que não? com terapia.
Quando o cérebro começa a dar tilt, surgem os alertas: insônia, coração acelerado, irritação, cansaço, sensação de estar sempre perdendo algo. E aí vem a ansiedade gritando (sem ser chamada): “Lindona, tem alguma coisa errada aqui, viu?”
Mas afinal, até onde essa ansiedade é “normal”? Ter um pouco de ansiedade é esperado, ela nos protege, nos move, nos ajuda a reagir. O problema é quando ela deixa de ser passageira e vira companhia fixa, tipo aquela notificação insistente que você não consegue ignorar. Você está jantando, mas já está na reunião de amanhã. Tira férias, mas leva a culpa na mala. E aquele medo constante de estar perdendo dinheiro, tempo, oportunidades… e até a cabeça.
Tudo isso acontece porque confundimos presença com performance. Queremos estar em todos os lugares, menos no único que realmente importa: o agora. Dá para sair desse modo automático e reencontrar o botão do “calma, tá tudo bem”.
Aliás, seu corpo já deve ter te dado alguns sinais. Fica de olho se:
- Você não consegue relaxar nem com tempo livre (o famoso “descansar e se sentir culpada”);
- Sua cabeça corre uma maratona mesmo no sofá;
- Fazer escolhas simples parece um desafio;
- Você vive com a sensação de que nunca é suficiente;
- Sua produtividade ou seu sono despencaram “do nada”;
- Seus relacionamentos andam sofrendo com sua irritabilidade ou impaciência.
Se você se viu em pelo menos dois desses itens… ei, luzinha de alerta acesa tá! E não precisa esperar a ansiedade virar crise para procurar ajuda. Terapia não é só para quem está “à beira de um estado de nervos” é para quem quer se entender, se reorganizar e viver com mais leveza (e menos boletos emocionais não pagos).
Na terapia cognitivo-comportamental, você aprende ferramentas práticas para não só “estar” no presente, mas viver o presente com mais intenção e menos pressão.
Então fica o convite: em vez de tentar estar em todos os lugares, que tal começar a estar verdadeiramente onde mais importa: com você mesma?
Seu cérebro agradece. Sua saúde mental também. E as 14 notificações no celular… bom, elas podem esperar
Débora Pacheco Pereira
•Psicóloga / Neuropsicóloga – CRP 04/34058
•Esp. Psicologia Clínica e Terapia Cognitivo Comportamental
•Esp. Gestão de Pessoas
•Esp. Neuroeducação: Neurociência e educação
Agendamento: (32) 99954-2414
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