A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou a fiscalização no combate à entrada de substâncias ilegais no país. Durante a primeira quinzena de setembro, a agência apreendeu mais de mil produtos sujeitos a controle sanitário em voos que desembarcaram no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro. A ação, realizada em conjunto com a Receita Federal e a Polícia Federal, visou coibir o tráfico de medicamentos sem registro e sem garantia de procedência.
Ao longo de 19 operações distintas, as autoridades retiveram centenas de unidades de substâncias amplamente comercializadas de forma clandestina. Entre os itens apreendidos, destacam-se 347 unidades de versões irregulares de tirzepatida, 572 de retatrutida e 198 de GHK-Cu, um peptídeo injetável frequentemente associado a fins estéticos. Além disso, 113 frascos de anabolizantes foram confiscados, resultando na prisão em flagrante de um passageiro por crime contra a saúde pública e contrabando.
Riscos da tirzepatida e retatrutida sem registro
A tirzepatida, princípio ativo de medicamentos como Mounjaro e Zepbound, possui patente exclusiva da farmacêutica Eli Lilly até 2036. No Brasil, não existem genéricos ou similares aprovados, o que torna qualquer produto comercializado sob esse nome irregular. Especialistas alertam que o chamado “Mounjaro do Paraguai”, embora fabricado legalmente em território paraguaio, não possui autorização da Anvisa para venda no Brasil, carecendo de comprovação de segurança, eficácia e qualidade.
No caso da retatrutida, a situação é ainda mais crítica, pois a substância permanece em fase experimental e não foi aprovada por nenhuma agência reguladora global. A ausência de registro sanitário significa que não há controle sobre a composição, esterilidade ou concentração do produto. Na Austrália, casos graves de lesão hepática aguda foram documentados em usuários de versões ilegais da substância, evidenciando os perigos ocultos no mercado clandestino.
O perigo dos peptídeos e anabolizantes clandestinos
O GHK-Cu, assim como outros peptídeos injetáveis, tem ganhado popularidade nas redes sociais sob promessas de melhorias estéticas. No entanto, a extrapolação de estudos experimentais para o uso humano sem supervisão médica e sem a devida aprovação sanitária coloca os consumidores em risco. A falta de procedência desses itens impede que pacientes e médicos identifiquem a origem de eventuais efeitos adversos graves.
A Anvisa reforça que produtos adquiridos fora de canais oficiais não oferecem garantias de conservação, especialmente em se tratando de medicamentos injetáveis que exigem controle rigoroso de temperatura. A prática de importar ou adquirir essas substâncias em rotas oriundas de locais como Foz do Iguaçu, Dubai ou Amsterdã expõe a população a substâncias tóxicas e contaminações. Para mais informações sobre a segurança de medicamentos, consulte o portal oficial da Anvisa.