A construção da identidade nunca foi tão exposta — e tão vulnerável. As redes sociais criaram um ambiente onde o sujeito não apenas se apresenta, mas se compara, se edita e, muitas vezes, se distorce.
Neurocientificamente, sabemos que cada curtida ativa o sistema de recompensa, liberando dopamina. Esse mecanismo reforça comportamentos de validação externa, criando uma dependência silenciosa de aprovação.
No entanto, o problema não está apenas na busca por reconhecimento, mas na fragmentação da autoimagem. O sujeito passa a existir em múltiplas versões: a real, a idealizada e a performada.
Na psicanálise, isso pode gerar uma dissociação entre o eu verdadeiro e o eu apresentado. Quanto maior essa distância, maior o sofrimento psíquico. Surge então uma sensação constante de inadequação — mesmo quando tudo parece estar “bem”.
Na minha prática, observo que muitas mulheres altamente capacitadas sentem-se insuficientes não por falta de competência, mas por excesso de comparação. Elas não se avaliam pela própria trajetória, mas por recortes irreais da vida alheia.
A cura começa quando o sujeito retorna para si. Quando ele entende que identidade não é construída no olhar do outro, mas na integração das próprias experiências, dores e conquistas.
Você não precisa ser mais para ser suficiente. Você precisa ser inteira.