Um novo estudo em neurociência cognitiva reforça que falar mais de um idioma pode trazer benefícios além da comunicação: o bilinguismo pode desacelerar o envelhecimento cerebral, preservando funções cognitivas essenciais ao longo da vida adulta.
Os pesquisadores analisaram imagens cerebrais e testes cognitivos de mais de 1.200 participantes entre 40 e 75 anos. Os resultados mostraram que pessoas que utilizam regularmente dois ou mais idiomas apresentaram maior densidade de conexões neurais, melhor memória de trabalho e menor declínio em tarefas que exigem atenção dividida.
Segundo o neurologista Dr. Caio Mendonça, especialista em envelhecimento cerebral, o ato de alternar entre idiomas funciona como um treino constante para o cérebro:
“O bilinguismo estimula áreas relacionadas à atenção, memória e organização. É como se o cérebro estivesse sempre fazendo microexercícios que fortalecem suas rotas cognitivas.”
A pesquisa mostrou ainda que o uso diário dos idiomas é mais determinante do que a idade em que a pessoa começou a aprendê-los. Ou seja, mesmo adultos que iniciam o aprendizado tardio podem colher benefícios significativos.
A neuropsicóloga Dra. Isabela Ventura destaca que aprender e usar outro idioma gera um tipo de “reserva cognitiva”:
“Quanto maior a reserva, mais protegido o cérebro fica contra o envelhecimento natural e até contra doenças neurodegenerativas.”
Os especialistas apontam que a prática contínua seja através de conversação, leitura, filmes ou aplicativos é a chave para manter o cérebro estimulado.
O estudo reforça a importância de incentivar o aprendizado de idiomas em todas as fases da vida, não apenas por questões culturais ou profissionais, mas também como estratégia de saúde cerebral a longo prazo.


