A relação entre prática esportiva e saúde masculina ganhou destaque recente em São Paulo durante o Caras Talks – Edição Novembro Azul, reunindo médicos, atletas e personalidades para discutir a importância da prevenção e da qualidade de vida.

O evento trouxe reflexões consistentes sobre como hábitos esportivos contribuem para um envelhecimento saudável, especialmente em um tema que ainda carrega resistência e silêncio entre os homens.
Do encontro participaram duas gerações de atletas: profissionais do alto rendimento e praticantes amadores, todos com um ponto em comum — a consciência de que o esporte molda escolhas e reforça a responsabilidade com o próprio corpo.
Para Antonio Vagner Paganini, presidente de um time de futebol e atleta master amador internacional, o esporte é mais que um hábito: é uma filosofia de vida. “A longevidade está ligada ao estilo de vida. O esporte nos mostra, dia após dia, que cuidar do corpo não é uma opção, é uma necessidade”, afirma.
Segundo ele, o rendimento físico vem acompanhado de outra vantagem decisiva: a naturalização do cuidado preventivo. “Com o tempo, a saúde se torna consequência, mas a prevenção nunca pode ficar de lado”, acrescenta.
O oncologista clínico Dr. Marcelo Antunes, ex-atleta profissional de polo aquático, reforça que a experiência no esporte influenciou diretamente sua compreensão sobre o corpo masculino e a necessidade de atenção contínua à saúde. “Quem viveu o esporte entende o valor do movimento e como ele contribui para a manutenção da saúde. Levo essa vivência às minhas palestras para desmistificar a conversa sobre próstata e mostrar que informação salva vidas”, contextualiza o médico.
O medalhista olímpico Fernando Scherer, o Xuxa, também esteve presente e destacou como sua trajetória o levou para um campo de atuação hoje voltado à saúde mental. “A performance só existe quando o corpo e a mente conversam. Falar sobre saúde masculina é falar sobre autoconsciência. É entender as barreiras que nós mesmos criamos”, revela.
Ele reforça que dividir sua história é uma forma de ajudar outros homens a reconhecerem sinais e buscarem apoio. “O corpo masculino carrega tabus, e quebrá-los exige coragem e informação”, declara.
Quando observamos trajetórias marcadas pela disciplina do esporte, seja profissional, seja amador, o recado é claro: não há atalhos. Existem escolhas consistentes, rotina e atenção ao próprio corpo.
Mesmo em situações de doença ou durante tratamentos, evidências médicas atuais mostram que a prática esportiva, aliada ao cuidado emocional e espiritual, favorece respostas mais positivas.
A longevidade, como disseram os participantes, não é um prêmio futuro, mas um caminho construído diariamente a partir do que escolhemos viver hoje.
Colunista: Maria Claudia Vieira