Um dos alimentos mais comuns da alimentação brasileira pode esconder um aliado importante para a saúde do fígado. O tomate é rico em licopeno, um carotenoide responsável pela sua coloração avermelhada e conhecido por sua ação antioxidante. Pesquisas recentes indicam que esse composto pode estar relacionado à redução do acúmulo de gordura no fígado e à proteção contra alterações metabólicas associadas à esteatose hepática.
A chamada doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla MASLD, ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura no fígado e está frequentemente relacionada a fatores como excesso de peso, resistência à insulina, diabetes e alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos.
Um estudo publicado em 2026 avaliou especificamente o efeito de um molho de tomate rico em carotenoides em adultos com MASLD. O ensaio clínico, realizado durante 12 semanas com 98 participantes, encontrou uma redução significativamente maior da gordura hepática entre aqueles que consumiram o produto enriquecido em carotenoides em comparação ao grupo que recebeu o molho controle. (PubMed)
O licopeno aparece como um dos principais componentes de interesse. Por apresentar propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, pesquisadores investigam seu possível papel na proteção das células do fígado contra processos relacionados ao acúmulo de gordura e à inflamação.
Os resultados mais recentes são especialmente interessantes porque não se limitaram a experimentos em laboratório. O estudo clínico com adultos mostrou que uma preparação de tomate rica em carotenoides foi capaz de reduzir a quantidade de gordura hepática medida por elastografia transitória. No grupo que recebeu o molho rico em carotenoides, a redução média do índice utilizado para estimar a gordura no fígado foi maior do que no grupo controle. (PubMed)
Outras pesquisas também apontam para uma possível associação entre o consumo de licopeno e uma menor ocorrência de doenças hepáticas. Em uma análise envolvendo 969 participantes, pesquisadores encontraram uma associação estatística entre maior consumo de licopeno e menor risco de doença hepática, embora os próprios autores ressaltem que as evidências em seres humanos ainda são limitadas. (PubMed)
Os mecanismos por trás desse possível efeito ainda estão sendo estudados. Pesquisas experimentais sugerem que o licopeno pode influenciar processos relacionados ao estresse oxidativo, à inflamação e ao metabolismo das gorduras. Estudos em animais também encontraram menor acúmulo de gordura no fígado após o consumo de tomate ou licopeno. (PubMed)
Isso não significa, porém, que comer tomate sozinho seja capaz de impedir ou tratar a gordura no fígado. A alimentação como um todo, a prática de atividade física, o controle do peso e o acompanhamento de condições como diabetes e colesterol elevado continuam sendo fundamentais para a prevenção e o controle da doença.
Também é importante diferenciar o consumo do alimento de suplementos concentrados de licopeno. Os estudos utilizam diferentes preparações, concentrações e formas de administração, e ainda não existe uma recomendação geral para que pessoas saudáveis tomem suplementos de licopeno com o objetivo específico de prevenir a esteatose.
O tomate pode, entretanto, fazer parte de uma alimentação equilibrada. Além do licopeno, ele fornece outros compostos bioativos e nutrientes. Preparações culinárias também podem alterar a disponibilidade do licopeno para absorção pelo organismo.
A descoberta reforça uma ideia cada vez mais estudada pela ciência: alimentos ricos em compostos bioativos podem contribuir para a saúde metabólica quando inseridos em um padrão alimentar adequado. Mas o tomate não deve ser encarado como um “remédio natural” para o fígado.
Para quem já recebeu o diagnóstico de gordura no fígado, a orientação é procurar avaliação médica e nutricional para identificar as causas e estabelecer uma estratégia individualizada. A boa notícia é que novas pesquisas continuam mostrando que mudanças na alimentação podem ter um papel relevante na prevenção e no controle das doenças metabólicas.
No caso do licopeno, os resultados são promissores, especialmente após o ensaio clínico publicado em 2026, mas ainda são necessárias pesquisas maiores e de longo prazo para determinar exatamente quanto, de que forma e para quais pacientes o consumo de tomate ou de seus compostos pode oferecer maior benefício. (PubMed)
Em outras palavras, o tomate está longe de ser uma solução milagrosa, mas pode ser mais um ingrediente interessante dentro de um estilo de vida que favoreça a saúde do fígado.