Durante décadas, a nutrição concentrou-se quase exclusivamente na qualidade e na quantidade dos alimentos. No entanto, avanços recentes da ciência mostram que o horário das refeições exerce um impacto profundo no metabolismo, abrindo espaço para um campo chamado crononutrição.
Segundo o endocrinologista Dr. Bruno Halpern, ex-presidente da ABESO, o corpo humano segue um ritmo circadiano, um relógio biológico que regula hormônios, temperatura corporal, sono e metabolismo. Comer fora desse ritmo pode gerar respostas metabólicas desfavoráveis, mesmo com alimentos saudáveis.
“O organismo processa carboidratos com mais eficiência durante o dia, quando a sensibilidade à insulina é maior. À noite, essa mesma refeição provoca picos glicêmicos mais intensos”, explica o especialista.
Estudos associam jantares tardios a maior risco de obesidade, resistência à insulina e inflamação crônica. A crononutrição não propõe restrições extremas, mas sim alinhamento entre alimentação e biologia, valorizando refeições mais cedo e distribuídas ao longo do dia.