Do ponto de vista neuropsicológico, a cura do trauma não está associada ao apagamento da memória, mas à sua ressignificação. Memórias traumáticas permanecem registradas, porém deixam de ativar respostas intensas de estresse.
O trauma se caracteriza pela ativação desregulada da memória emocional, que invade o presente por meio de flashbacks, reações corporais ou estados emocionais desproporcionais ao contexto atual.
Quando ocorre a elaboração, a memória passa a ser integrada ao sistema narrativo do cérebro. Isso significa que o indivíduo consegue lembrar do evento sem reviver as sensações fisiológicas associadas a ele.
A diminuição da reatividade indica que o sistema nervoso deixou o estado de ameaça constante. O passado é reconhecido como passado, não mais como perigo iminente.
Curar, portanto, é permitir que a experiência faça parte da história sem governar o presente emocional.