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Da Acne ao Envelhecimento: Uma Nova Forma de Cuidar da Pele

Entre a busca por uma pele saudável e a preocupação com os sinais do tempo, existe um caminho que vai muito além de procedimentos e protocolos prontos. Para a biomédica e tricologista Dra. Janahynne Dantas, cuidar da pele significa, antes de tudo, compreender sua fisiologia, respeitar seus limites e reconhecer que cada pessoa possui necessidades únicas.

Sua trajetória profissional nasceu também de uma experiência pessoal. Dona de uma pele sensível e com tendência a manchas, Janahynne buscou compreender profundamente os processos que aconteciam em sua própria pele e, ao longo dos anos, transformou essa inquietação em propósito profissional. A experiência internacional, especialmente os dois anos de estudos em Paris, ampliou sua visão sobre estética, cosmética, perfumaria e cuidados cutâneos, aproximando-a da corneoterapia, abordagem que se tornou um dos pilares de sua atuação.

Com uma proposta baseada na preservação, no reparo e no fortalecimento da pele, a profissional passou a questionar modelos de tratamento excessivamente agressivos e a defender uma estética mais individualizada e fundamentada em conhecimento científico. Sua atuação contempla diferentes condições, da acne ao melasma, da hipersensibilidade aos sinais do envelhecimento, sempre partindo da compreensão de que a pele é um órgão que precisa ser cuidado e respeitado.

Reconhecida por sua atuação profissional, Dra. Janahynne Dantas recebeu o Prêmio Excelência Profissional 2026 e também atua como speaker da Alur Medical, compartilhando conhecimento e experiências com outros profissionais da área da saúde e estética. Nesta entrevista à Pulsar Brasil, ela fala sobre sua trajetória, a experiência na França, os princípios da corneoterapia, os desafios de cuidar da pele brasileira e a importância de construir uma carreira baseada em estudo, ciência e propósito.

Entrevista à Pulsar Brasil: “Da acne ao envelhecimento: uma nova forma de cuidar da pele”

Você começou sua trajetória na Biomedicina sem imaginar que a estética faria parte da sua carreira. O que despertou em você o desejo de empreender e construir sua própria atuação na área?

Primeiro, a possibilidade de entender o que acontecia com a minha pele, tendo em vista que sempre tive a pele muito sensível, que manchava com facilidade. Segundo, a possibilidade de ter minha própria empresa.

Durante sua formação no Brasil, você percebeu que muitos tratamentos estéticos tinham como princípio agredir ou provocar algum tipo de lesão na pele. O que a incomodava nessa abordagem e por que decidiu buscar uma alternativa fora do país?

Os tratamentos de pele no Brasil eram, de modo geral, bastante agressivos e levavam em conta protocolos que não tratavam das especificidades e da diversidade das peles brasileiras. Por isso, comecei a refletir sobre alternativas. Como poderia tratar a minha pele e a de outras pessoas de maneira mais respeitosa e coerente? Com os tratamentos que o Brasil disponibilizava, seria impossível.

Você passou dois anos em Paris estudando estética, cosmética, perfumaria e diferentes áreas relacionadas aos cuidados com a pele. O que mais mudou na sua forma de enxergar a estética durante essa experiência na França?

Primeiro: prevenir. Segundo: tratar a pele com carinho, lembrando que ela é um órgão. E terceiro: não enxergar o envelhecimento como algo ruim. A pele conta a nossa história e essa história não precisa ser apagada.

Foi na França que você conheceu a corneoterapia, uma abordagem baseada em preservação, reparo e cuidado da pele. Como funciona esse conceito e o que o diferencia dos tratamentos estéticos mais tradicionais?

A corneoterapia visa à reorganização da pele, seu reparo, sua preservação e seu fortalecimento. A pele é um órgão e, como todo órgão, ela é autossuficiente, ou seja, desempenha sozinha suas funções. Porém, com o passar do tempo e com o excesso de tratamentos agressivos, ela vai perdendo seu funcionamento. Então, a corneoterapia entra para reequilibrá-la.

A corneoterapia se tornou o carro-chefe da sua clínica e foi fundamental para sua consolidação profissional. Como essa abordagem contribuiu para transformar sua trajetória e conquistar reconhecimento e premiações na área?

Estudos mostram que mais da metade da população mundial é acometida pela síndrome da pele sensível. No Brasil, 80% das mulheres e 53% dos homens avaliados declaram apresentar algum grau de sensibilidade. Estamos em um país tropical, onde o sol brilha o ano todo, com temperaturas muito elevadas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

A associação de pele sensível com alta radiação e tratamentos agressivos não é uma boa combinação. Pode haver muitos riscos e efeitos colaterais. Poucos profissionais olham realmente para essas peles. Então, quando trouxe algo novo, o cenário mudou: o sol não seria mais um problema, o paciente não precisaria se ausentar do trabalho ou das atividades de bem-estar para cuidar da pele, e tudo isso com risco mínimo ou praticamente zerado. Com certeza, esse foi o grande diferencial. A vida já é muito difícil, o tratamento de pele não precisa ser.

Você defende que é possível tratar diferentes condições sem necessariamente provocar inflamação ou agressão à pele. Como a corneoterapia pode ser aplicada em casos como acne, melasma, hipersensibilidade e sinais do envelhecimento?

Todos têm em comum a inflamação. Da mesma forma que, quando estamos doentes, precisamos descansar e precisamos de repouso, a pele doente também precisa de repouso. Então, a corneoterapia trará esse descanso para a pele danificada, inflamada, manchada, melhorando todo o ecossistema que existe nela e trazendo benefícios a curto e longo prazo.

Sua proposta também chama atenção pela possibilidade de atender diferentes perfis de pacientes, inclusive aqueles que possuem maior sensibilidade cutânea. Quais são os principais cuidados necessários para personalizar um tratamento de acordo com as características e necessidades de cada pele?

Hábitos de vida, profissão, doenças preexistentes, medicamentos em uso, exposição solar, exposição a telas de computadores e celulares são alguns dos fatores que devem ser levados em consideração. O tratamento visa identificar e reduzir o dano de todos os agravantes externos que estão afetando a pele, além de entender se o ciclo fisiológico da pele está em funcionamento perfeito e quais são os fatores internos que estão afetando esse funcionamento fisiológico.

Ao olhar para sua trajetória, desde a chegada a São Paulo com poucos recursos até o reconhecimento profissional e a atuação como speaker, quais foram os maiores desafios que moldaram a profissional que você é hoje e qual mensagem gostaria de deixar para quem está começando na área da estética?

Sou uma mulher consciente de minhas origens, filha de pequenos agricultores, nascida em Santa Luzia, no sertão da Paraíba. Vim de uma família muito pobre. Meus pais não tiveram oportunidade de estudar, porém minha mãe sempre incentivou a mim e a meus irmãos aos estudos, para que pudéssemos ter o direito de escolha, para que o leque de oportunidades fosse mais amplo.

Eu sempre gostei de estudar, sempre fui muito curiosa, nunca segui modismos e segui o conselho da minha mãe. Durante minha trajetória, tive que fazer muitas escolhas. Me ausentei de festas, de momentos de lazer, me distanciei da família e de amigos, passei muitas noites em claro estudando, fiz investimentos altos em cursos que demoram anos para dar retorno, adiei planos, enfrentei alguns problemas de saúde e, diante de tudo, entendo que o estudo ininterrupto foi fundamental.

Preferi seguir o caminho da ciência. Na área da saúde, não podemos ter dúvidas, não podemos “achar”, temos que ter certeza, e a certeza só existe através do estudo. Enquanto a maioria dos profissionais estava ocupada em aprender técnicas ou em comprar equipamentos novos, eu estava focada em entender como um ativo ou um equipamento atuaria na pele e quais riscos poderia causar.

É um caminho de muito investimento, pouco reconhecimento, mas, quando ele chega, não há como ser passado para trás. Hoje está muito mais fácil o acesso a livros, artigos e cursos digitais. Estudem, não se deixem fantasiar e não se comparem. Nem sempre o caminho mais rápido é o caminho mais correto.

A trajetória de Dra. Janahynne Dantas revela uma escolha consciente por um caminho baseado em conhecimento, investigação e respeito à individualidade da pele. Sua experiência mostra que a evolução na estética não está necessariamente ligada à intensidade de um procedimento, mas à capacidade de compreender quando intervir, como intervir e, principalmente, quando respeitar o tempo de recuperação da pele.

Ao defender uma abordagem que valoriza prevenção, preservação e equilíbrio, a profissional amplia a discussão sobre o cuidado com a pele em diferentes fases da vida. Da acne aos sinais do envelhecimento, sua proposta parte de uma compreensão que coloca a saúde cutânea no centro do tratamento, sem transformar o envelhecimento em algo que precisa ser combatido a qualquer custo.

Com uma trajetória marcada por estudo contínuo e pela busca por conhecimento científico, o reconhecimento com o Prêmio Excelência Profissional 2026 e sua atuação como speaker representam novos capítulos de uma carreira construída com propósito. Para Dra. Janahynne, cuidar da pele é também compreender sua história, respeitar sua fisiologia e oferecer um tratamento que faça sentido para cada pessoa.

No fim, sua mensagem é simples, mas profunda: em uma área constantemente atravessada por tendências e novidades, conhecimento continua sendo a ferramenta mais segura para transformar a prática profissional. E, quando o assunto é pele, compreender antes de intervir pode ser justamente a forma mais cuidadosa de tratar.

@patynaum cabeleireira
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