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Desigualdade salarial atinge trabalhadores com deficiência no Brasil

Desigualdade salarial atinge trabalhadores com deficiência no Brasil
© Paulo Pinto/Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta um cenário de disparidade salarial significativa para pessoas com deficiência. De acordo com dados do Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio desse segmento da população é de R$ 2.053, valor que corresponde a apenas 70% do que é auferido por trabalhadores sem deficiência, cuja média salarial atinge R$ 2.890.

Concentração em setores de menor remuneração

A análise técnica do IBGE aponta que a desigualdade não se limita apenas aos valores nominais, mas também à distribuição setorial desses profissionais. O pesquisador João Hallak Neto destaca que, em todos os grupos de atividades econômicas, as pessoas com deficiência recebem menos que seus pares sem deficiência.

Além disso, existe uma concentração desproporcional desses trabalhadores em setores historicamente marcados por remunerações mais baixas. Áreas como serviços domésticos, agropecuária, alojamento e alimentação absorvem a maior parcela dessa mão de obra, limitando o potencial de ganho financeiro e ascensão profissional.

Desafios na ocupação e inserção profissional

O nível de ocupação reflete a dificuldade de inserção no mercado formal. Enquanto 55,8% das pessoas sem deficiência em idade de trabalhar estão ocupadas, esse índice cai para apenas 29% entre as pessoas com deficiência. Dos 13,71 milhões de indivíduos com deficiência em idade ativa, apenas 3,97 milhões possuem ocupação.

A natureza da limitação influencia diretamente a taxa de ocupação. Pessoas com dificuldades associadas a funções mentais apresentam o menor índice, com 12,9% de ocupação. Em contrapartida, grupos com dificuldades de visão ou audição registram taxas mais elevadas, alcançando 35,9% e 27,5%, respectivamente.

Dependência de fontes externas de renda

A estrutura financeira dos lares brasileiros também revela a fragilidade econômica imposta por essa realidade. Em domicílios onde reside pelo menos uma pessoa com deficiência, a renda do trabalho compõe apenas 55,7% do rendimento total, sendo o restante proveniente de outras fontes, como benefícios sociais ou previdenciários.

Em lares sem pessoas com deficiência, a dinâmica é distinta: a renda do trabalho é responsável por 78,4% do orçamento familiar. Essa diferença evidencia como a deficiência impacta a autonomia financeira não apenas do indivíduo, mas de todo o núcleo familiar, que necessita recorrer a complementos de renda para manter sua subsistência.

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