A Medicina Capilar reúne conhecimento médico, precisão técnica e sensibilidade para compreender a relação entre cabelo, identidade e autoestima. Para o Dr. Guilherme Ragassi, essa área representa a oportunidade de transformar vidas por meio de tratamentos individualizados, respeitando as características de cada paciente e buscando resultados naturais.
Com atuação em transplante capilar de alta densidade, técnicas sem raspagem e procedimentos voltados à barba e às sobrancelhas, o médico também valoriza a investigação das causas da queda capilar antes de indicar qualquer intervenção. Sua abordagem considera que cada caso exige planejamento próprio, avaliação criteriosa e alinhamento entre as expectativas do paciente e as possibilidades da Medicina.
Com formação internacional em Medicina Tricológica e uma trajetória construída em Dracena, no interior de São Paulo, o Dr. Guilherme prepara uma nova etapa profissional com a expansão de seu trabalho para a capital paulista. Nesta entrevista à Pulsar Brasil, ele compartilha sua trajetória, explica os diferenciais das técnicas que utiliza e destaca a importância da naturalidade, da segurança e da transparência no tratamento capilar.
Sua trajetória na Medicina começou com a intenção de seguir outra especialidade, mas durante a faculdade você descobriu a Medicina Capilar. O que despertou esse interesse e fez você perceber que esse seria o caminho que queria seguir?
Durante a faculdade, eu inicialmente imaginava seguir outro caminho dentro da Medicina. Foi ao conhecer mais profundamente a área capilar que percebi o quanto ela reunia diferentes aspectos que me interessavam: conhecimento médico, anatomia, técnica cirúrgica, estética e, principalmente, a possibilidade de transformar a vida do paciente.
O cabelo tem uma relação muito forte com identidade, autoestima e imagem pessoal. Quando comecei a estudar a fundo a tricologia, percebi que não se tratava simplesmente de fazer um procedimento, mas de entender a causa da perda capilar, o perfil de cada paciente e como construir um resultado que fizesse sentido para aquela pessoa.
Foi nesse momento que percebi que havia encontrado uma área na qual realmente queria me aprofundar.
Você começou a se especializar em Tricologia ainda durante a graduação, buscando cursos e congressos por conta própria. O que essa busca antecipada representou para a sua formação e para a construção da sua carreira?
Representou, principalmente, uma decisão de não esperar a graduação terminar para começar a construir aquilo que eu queria para minha carreira.
Ainda como estudante, comecei a buscar cursos, congressos, profissionais de referência e diferentes linhas de conhecimento em tricologia e cirurgia capilar. Foi uma iniciativa pessoal, movida muito mais pela curiosidade e pela vontade de aprender do que por uma estratégia profissional naquele momento.
Com o tempo, essa busca se tornou parte da minha formação. Continuei investindo em conhecimento, atualização e aperfeiçoamento técnico, inclusive com formação internacional em Medicina Tricológica.
Acredito que, na Medicina, nunca existe um ponto em que você possa dizer que terminou de aprender. Quanto mais você estuda, mais percebe a importância de individualizar cada caso.

Hoje, seu trabalho é reconhecido pela realização de procedimentos de alta densidade e por técnicas que buscam resultados naturais e personalizados. Como funciona essa abordagem e quais fatores são considerados no planejamento de cada cirurgia?
Alta densidade não significa simplesmente colocar o maior número possível de fios em uma determinada região. Para mim, densidade precisa estar associada a planejamento.
Antes de qualquer cirurgia, observo características como idade, padrão de alopecia, área doadora, calibre e características dos fios, formato do rosto, proporções faciais, direção e angulação dos fios e, principalmente, a perspectiva de evolução daquela alopecia ao longo dos anos.
A linha frontal também precisa conversar com o rosto. Não existe um desenho único que funcione para todos os pacientes.
O objetivo é utilizar os recursos disponíveis de maneira estratégica para alcançar uma aparência natural, harmônica e compatível com o que aquele paciente poderá sustentar ao longo do tempo.
Um dos seus diferenciais é realizar procedimentos sem raspar, além de atuar com transplante de cabelo, barba, sobrancelhas e outras áreas. Como a avaliação individual do paciente influencia a escolha da técnica mais adequada para cada caso?
A técnica não deve ser escolhida antes do paciente. Primeiro entendemos o paciente e, a partir disso, definimos a melhor estratégia.
O procedimento sem raspagem, por exemplo, pode ser uma possibilidade muito interessante para determinados pacientes, especialmente para quem não deseja interromper sua rotina ou expor que realizou um procedimento. Mas isso não significa que seja a melhor indicação para todos.
Da mesma forma, cabelo, barba e sobrancelhas possuem características anatômicas e estéticas diferentes e exigem planejamentos específicos.
Por isso, considero fundamental analisar individualmente a área receptora e a área doadora, as características dos fios e o objetivo do paciente antes de definir a técnica.

Você também destaca que nem todo paciente que chega à clínica precisa necessariamente de um transplante. Como é feita essa avaliação e qual é a importância de entender a causa da queda antes de indicar uma cirurgia?
Essa é uma das partes mais importantes do meu trabalho.
O paciente muitas vezes chega dizendo: “Doutor, eu quero fazer um transplante”. Mas, antes de pensar em cirurgia, precisamos entender por que aquele cabelo está caindo.
A consulta envolve uma investigação clínica detalhada, avaliação do couro cabeludo, tricoscopia e, quando necessário, exames complementares. Existem diferentes tipos de alopecia e diferentes causas de queda, e cada situação exige uma estratégia.
Em alguns casos, o melhor tratamento é clínico. Em outros, podemos precisar primeiro controlar uma doença ou estabilizar a perda antes de pensar em cirurgia.
O transplante é uma ferramenta dentro do tratamento da alopecia, e não necessariamente o primeiro passo.
No segmento capilar, você também recebe muitos pacientes que chegam em busca de correções após experiências anteriores. Quais são os principais desafios encontrados nesses casos e o que o paciente deve observar antes de escolher um profissional para realizar um transplante?
Os casos de correção costumam ser particularmente desafiadores porque precisamos trabalhar com uma situação que já foi modificada por um procedimento anterior.
Podemos encontrar cicatrizes, distribuição inadequada dos fios, linhas frontais artificiais, angulações incorretas, baixa densidade ou até comprometimento da área doadora. E, muitas vezes, temos uma quantidade limitada de recursos para corrigir aquilo.
Por isso, acredito que o paciente deve olhar além de fotos de resultados. É importante conhecer a formação do profissional, entender como é feita a avaliação, saber se existe um planejamento individualizado e perceber se existe transparência em relação ao que é possível ou não alcançar.
Um bom resultado começa muito antes da cirurgia.

Você fala muito sobre a importância de alinhar expectativa e realidade, já que o transplante capilar envolve um sonho e uma grande expectativa do paciente. Como você conduz essa relação para que o resultado seja estético, possível e, principalmente, coerente com cada caso?
Essa talvez seja uma das conversas mais importantes que tenho com o paciente.
Eu procuro entender primeiro o que aquela pessoa realmente deseja. Depois, explico o que podemos fazer, quais são as limitações e como aquele resultado pode evoluir ao longo do tempo.
Nem sempre aquilo que o paciente imagina é biologicamente possível, principalmente quando existe uma área doadora limitada ou uma alopecia mais avançada.
Meu papel é justamente fazer essa ponte entre o sonho do paciente e aquilo que a Medicina consegue oferecer com segurança e naturalidade.
Prefiro estabelecer uma expectativa realista e entregar um resultado coerente do que vender uma promessa que não possa ser sustentada.
Depois de construir uma trajetória consolidada no interior de São Paulo e receber pacientes de diferentes regiões do Brasil, você está planejando também levar seu trabalho para a capital paulista. O que essa nova fase representa para você e quais são os próximos projetos que pretende colocar em prática?
Para mim, chegar a São Paulo representa uma nova etapa de uma trajetória que começou no interior e foi construída passo a passo.
Tenho muito orgulho de ser do interior e, principalmente, de tudo que construí em Dracena. Foi aqui que comecei, desenvolvi minha experiência, construí relações com meus pacientes e tive a oportunidade de transformar a vida de muitas pessoas através da Medicina.
Por isso, São Paulo não representa uma mudança, mas uma expansão. Vou continuar atuando no interior e mantendo essa conexão com a região que faz parte da minha história, ao mesmo tempo em que passo a levar meu trabalho para um dos maiores centros médicos e profissionais do país.
É um desafio novo e, ao mesmo tempo, uma consequência natural de tudo que venho construindo. Quero chegar a São Paulo levando não apenas uma técnica, mas uma forma de trabalhar baseada em conhecimento, planejamento, naturalidade e, principalmente, proximidade com o paciente.
Também tenho novos projetos para a área capilar, tanto na parte cirúrgica quanto no acompanhamento clínico e na estrutura que pretendo desenvolver nos próximos anos.
Mas acredito que crescer não significa mudar aquilo que fez você chegar até aqui. Quero ampliar meu trabalho sem perder a essência da minha trajetória.
Levar para novos lugares aquilo que começou em Dracena, sem esquecer de onde tudo começou, é algo que tem um significado muito especial para mim.

A trajetória do Dr. Guilherme Ragassi reflete uma construção profissional pautada pela busca constante por conhecimento, pelo aperfeiçoamento técnico e pela compreensão das necessidades individuais de cada paciente. Sua atuação na Medicina Capilar parte de uma premissa importante: resultados consistentes exigem avaliação criteriosa, planejamento e expectativas alinhadas às possibilidades de cada caso.
Ao ampliar sua presença para além do interior paulista, o médico inicia uma nova fase sem abrir mão dos princípios que orientam seu trabalho. Entre técnicas de alta densidade, procedimentos sem raspagem e tratamentos voltados a diferentes áreas, sua proposta é unir conhecimento, naturalidade e cuidado em cada etapa do atendimento, mantendo o compromisso com uma Medicina individualizada e responsável.
Foto: @agenciacongu