O mercado de infoprodutos vem se consolidando como uma das principais oportunidades para empreendedores que desejam transformar conhecimento em uma nova fonte de receita. O tema foi abordado em reportagem do jornalista Marcelo Moura, da PEGN, que mostra como cursos, e-books, mentorias e outros conteúdos digitais passaram a integrar a estratégia de negócios de profissionais de diferentes setores.
O crescimento desse segmento acompanha a expansão da chamada creator economy. Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que criadores de conteúdo que comercializam materiais educativos registraram aumento médio de 154% no faturamento. Entre os entrevistados, 42% afirmaram que os infoprodutos já representam sua principal fonte de renda.
“Eles contribuem para a diversificação das vendas“, afirma Beatriz Pinheiro, coordenadora do estudo.
As perspectivas para o setor também seguem positivas. De acordo com projeções da consultoria Imarc Group, o mercado brasileiro de ensino eletrônico deve crescer de US$ 8 bilhões em 2025 para US$ 15,2 bilhões em 2034, impulsionado pela maior procura por qualificação online e pelo avanço das plataformas digitais.
Entre os casos de sucesso está o da marca Sopudim. Durante a pandemia, os sócios Daniel Praxedes e Diego Sollon viram as vendas presenciais despencarem e decidiram transformar a experiência adquirida na produção de doces em um curso digital.
“O desejo dos nossos clientes era aprender a fazer o pudim e comercializar“, lembra Daniel Praxedes.
“Mapeei nosso público, estudei as plataformas, montei um PDF simples e divulguei nas redes sociais. Na primeira semana, faturamos R$ 100 mil.”
Hoje, segundo o empreendedor, a empresa reúne mais de 1 milhão de seguidores e atende mais de 18 mil clientes em diferentes países, tendo os cursos online como principal fonte de faturamento.

Especialistas destacam que o primeiro passo para desenvolver um infoproduto está em identificar uma necessidade real do público. O conteúdo precisa resolver um problema específico e apresentar um diferencial em relação às alternativas já disponíveis no mercado.
“O primeiro passo é escutar o seu cliente, entender a dor dele“, observa Daniel Praxedes.
Para Paula Tebett, especialista em marketing digital, definir um nicho pode aumentar significativamente as chances de sucesso.
“Qual benefício o seu conteúdo pode oferecer? Como fazer a sua solução se destacar no meio de tantas outras?“, questiona.
A escolha do público também influencia diretamente a estratégia de vendas. Segundo João Finamor, professor de marketing da ESPM, conhecer o perfil do consumidor permite entender quais formatos e canais são mais adequados para distribuir o conteúdo.
“Identificar o cliente ajuda a responder várias perguntas: que uso ele vai fazer da informação que você quer oferecer? Quanto está disposto a pagar? Como prefere consumir o conteúdo?“, afirma.
Antes de investir em cursos completos ou programas mais robustos, outra recomendação é validar a ideia por meio de materiais mais simples, como e-books gratuitos, conteúdos para redes sociais ou aulas experimentais. O desempenho dessas iniciativas ajuda a medir o interesse do mercado e reduz riscos.
Na etapa de comercialização, especialistas reforçam a importância de estruturar uma estratégia de marketing, definir um funil de vendas e investir em divulgação para ampliar o alcance do produto. Também é importante manter um calendário de lançamentos e oferecer conteúdos que atendam tanto demandas permanentes quanto oportunidades sazonais.
As opções de monetização variam conforme o perfil do empreendedor e do público. E-books costumam ser indicados para testar o mercado e construir autoridade. Cursos ao vivo permitem maior interação com os alunos. Videoaulas atendem conteúdos mais complexos, enquanto mentorias oferecem acompanhamento personalizado. Já os modelos de assinatura garantem receita recorrente para quem consegue produzir conteúdo de forma constante.
Com o avanço da economia digital, especialistas avaliam que transformar conhecimento em produtos digitais deixou de ser apenas uma fonte complementar de renda. Para muitos empreendedores, os infoprodutos passaram a representar um modelo de negócio escalável, capaz de ampliar o faturamento, fortalecer a marca e alcançar clientes em diferentes regiões do Brasil e do mundo.