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Saúde mental de jornalistas brasileiros é ameaçada por assédio e sobrecarga

Saúde mental de jornalistas brasileiros é ameaçada por assédio e sobrecarga
© Lula Marques/ Agência Brasil

Uma pesquisa recente revela um cenário alarmante para os profissionais de imprensa no Brasil. O estudo, conduzido pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro) com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), aponta que a combinação de sobrecarga, assédio e falta de suporte social tem comprometido seriamente a saúde mental da categoria.

Os dados, apresentados ao Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, indicam que as condições laborais atuais não apenas afetam o bem-estar individual dos trabalhadores, mas também colocam em risco a qualidade da informação oferecida à sociedade. Especialistas alertam que o jornalismo, por sua natureza dinâmica e estressante, exige medidas urgentes de proteção e suporte por parte de empregadores e do poder público.

Impactos clínicos e distúrbios ocupacionais

O levantamento, que ouviu 257 profissionais, identificou que 48% dos entrevistados sofrem com insônia, um índice significativamente superior às médias nacionais registradas pelo Ministério da Saúde. Além disso, 36% relataram sintomas de ansiedade e 50% afirmaram enfrentar quadros de depressão, sendo que 9% dos casos foram classificados como severos.

O consumo de substâncias também preocupa as pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze. Cerca de 21,5% dos participantes relataram padrões de consumo de álcool que indicam risco ou uso nocivo, enquanto 1,2% dos casos apontam para uma possível dependência química, refletindo a tentativa de lidar com o estresse crônico da profissão.

Prevalência de assédio e violência digital

O ambiente de trabalho dos jornalistas tem se tornado um espaço de vulnerabilidade psicossocial. Entre 26% e 37% dos profissionais relataram ter sido vítimas de assédio moral, enquanto 30% afirmaram sofrer com o fenômeno do cyberbullying. Esses números evidenciam que a violência contra a categoria ocorre tanto no ambiente físico das redações quanto no espaço virtual.

A situação é agravada pela percepção de isolamento: 61% dos jornalistas afirmam receber baixo apoio social de colegas e superiores. Esse déficit de interação, somado à pressão por produtividade e ao pouco controle sobre as rotinas de trabalho, cria um ciclo de desgaste que compromete a satisfação profissional e a saúde a longo prazo.

Consequências para a democracia e o direito à informação

A presidenta da Fenaj, Samira de Castro Cunha, reforça que o esgotamento dos profissionais tem reflexos diretos na sociedade. Ao enfrentar altas demandas e um ambiente hostil, a capacidade do jornalista de exercer seu papel social é limitada, impactando a qualidade do conteúdo produzido e o direito fundamental da população ao acesso à informação.

As autoras do estudo defendem que a discussão sobre o tema deve sair da esfera individual e tornar-se uma pauta prioritária para formuladores de políticas públicas. A preservação da saúde mental desses trabalhadores é, portanto, um pilar indispensável para a manutenção de instituições democráticas sólidas e de um jornalismo independente e funcional.

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