É comum acreditar que viver muitos anos depende principalmente da genética. Embora os genes influenciem o risco de desenvolver algumas doenças, pesquisas mostram que eles representam apenas uma parte da equação da longevidade.
Estudos com gêmeos e grandes populações sugerem que aproximadamente 20% a 30% da variação da longevidade está relacionada a fatores genéticos, enquanto a maior parte é influenciada por fatores ambientais e hábitos de vida. Portanto, a afirmação de que a longevidade é “7% genética e 93% estilo de vida” não é um consenso científico e varia conforme o estudo e a metodologia utilizada.
Segundo a pesquisadora Dra. Linda Partridge, especialista em biologia do envelhecimento e professora da University College London, o envelhecimento saudável é resultado da interação entre genética, ambiente e escolhas feitas ao longo da vida.
O médico Dr. Luigi Ferrucci, diretor científico do National Institute on Aging (Estados Unidos), afirma que hábitos saudáveis podem reduzir significativamente o risco de doenças crônicas e preservar a capacidade física e cognitiva durante o envelhecimento.
Entre os fatores mais associados à longevidade estão:
- Praticar atividade física regularmente;
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Dormir bem;
- Não fumar;
- Consumir álcool com moderação ou evitá-lo;
- Controlar o estresse;
- Manter vínculos sociais e cuidar da saúde mental;
- Realizar acompanhamento médico e exames preventivos.
Pesquisas publicadas na revista Nature Medicine e em outras publicações científicas mostram que a adoção desses hábitos está relacionada à redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e mortalidade precoce.
As chamadas “Zonas Azuis”, regiões do mundo onde vivem mais pessoas centenárias, também reforçam essa ideia. Apesar das diferenças culturais, elas compartilham características semelhantes, como alimentação predominantemente natural, atividade física cotidiana, forte convívio social, propósito de vida e baixo índice de tabagismo.
Especialistas destacam que não é possível modificar os genes com os quais nascemos, mas é possível influenciar a forma como eles se expressam por meio do estilo de vida. Esse conceito é estudado pela epigenética, área que investiga como fatores ambientais podem afetar a atividade dos genes sem alterar o DNA.
A genética pode abrir algumas portas, mas são as escolhas feitas diariamente que ajudam a determinar como envelhecemos. Cuidar da saúde hoje continua sendo uma das estratégias mais eficazes para viver mais — e viver melhor.