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Marcelo Tabosa: Quando a Medicina é Propósito

Para o otorrinolaringologista e especialista em cirurgia nasal, cuidar da respiração é cuidar da saúde, da autoestima e, acima de tudo, da vida.

Existem profissões que são escolhidas. E existem aquelas que parecem escolher quem as exerce. Para o Dr. Marcelo Tabosa, a medicina sempre esteve nesse segundo grupo.

Muito antes de conquistar o CRM, realizar milhares de atendimentos e se consolidar como referência em otorrinolaringologia e rinoplastia, ele já carregava consigo a certeza de que seria médico. Uma convicção que nasceu na infância, cresceu dentro de casa e foi fortalecida pelo exemplo dos irmãos mais velhos — também médicos — e pelo incentivo constante dos pais.

Hoje, à frente de uma carreira marcada pela excelência técnica e por uma abordagem que une função e estética, Dr. Marcelo defende uma medicina baseada em propósito, naturalidade e resultados elegantes. Mais do que transformar rostos, seu trabalho busca devolver qualidade de vida e impactar histórias.

Em entrevista exclusiva à Revista Pulsar, o médico relembra sua trajetória, fala sobre os aprendizados da formação, compartilha o caso que mais marcou sua carreira e revela por que acredita que a medicina é, acima de tudo, uma missão.

A medicina sempre esteve nos seus planos?

Desde pequeno, eu nunca pensei em ser outra coisa. A medicina sempre foi uma certeza para mim. Meus dois irmãos mais velhos também seguiram essa carreira — meu irmão é oftalmologista e minha irmã é obstetra — então existia uma influência familiar muito forte. Meus pais sempre valorizaram muito os estudos e nos incentivaram a buscar excelência. Nunca consegui me imaginar em outra profissão. Acho que é a única na qual eu realmente me encaixaria.

Quais foram os grandes marcos da sua formação?

Sem dúvida, a residência médica na Santa Casa de São Paulo, que é o maior hospital público da América Latina. O volume de cirurgias e a diversidade dos casos nos dão uma formação muito sólida. Só no primeiro ano de residência, realizamos mais de cem cirurgias de amígdalas. Isso proporciona uma segurança muito grande para enfrentar a vida profissional.

Foi um caminho difícil. Estudei durante dois anos em cursinhos para conquistar a vaga, porque é uma residência extremamente concorrida. Mas todo esforço valeu a pena.

A otorrinolaringologia foi sua primeira escolha?

Na verdade, não. Minha primeira especialidade foi anestesiologia. Fiz quase um ano de residência, mas percebi que queria uma especialidade cirúrgica. A otorrinolaringologia sempre me interessou desde a faculdade e foi uma decisão muito acertada.

É uma área extremamente rica, porque permite conciliar clínica e cirurgia. Você pode atuar com crianças, idosos, trabalhar desde problemas de deglutição até cirurgias estéticas. É uma especialidade dinâmica, que oferece inúmeras possibilidades.

Muitas pessoas não imaginam a abrangência da otorrinolaringologia. Nós cuidamos da audição, do olfato e da respiração, funções essenciais para a qualidade de vida. É uma área fascinante.

Existe algum paciente que marcou profundamente sua trajetória?

Sim. Antes da plástica facial, fiz uma subespecialização em cirurgia de ouvido. Uma paciente chegou ao pronto-socorro com perda auditiva súbita. O diagnóstico inicial não havia sido realizado e a única alternativa era um implante coclear.

Realizamos o procedimento e ela voltou a ouvir. Foi uma experiência transformadora. Criamos uma relação muito bonita, de muita gratidão. Ela sempre aparecia no consultório levando algum presente, mandava lembranças nas datas especiais. Era uma pessoa muito querida.

Durante a pandemia, tanto ela quanto o marido foram internados por Covid-19. Ela sofreu um AVC em meio a toda aquela situação e os dois acabaram ficando na mesma UTI. Ele faleceu pela manhã e ela faleceu horas depois, no mesmo dia.

Foi uma história de amor muito forte e que me marcou profundamente. Até hoje guardo um presente que ela me deu no carro. Sempre me lembro dela. São histórias assim que nos fazem entender a dimensão humana da medicina.

Como você define a essência da sua marca?

Eu acredito em uma estética elegante e silenciosa. Gosto da naturalidade, das coisas mais simples, mais discretas e sem exageros.

Não acredito em excessos. A verdadeira sofisticação está justamente em preservar a identidade de cada pessoa. Meu objetivo é entregar resultados harmônicos, que valorizem a beleza individual e transmitam naturalidade.

Por que a função deve vir antes da estética em uma rinoplastia?

Porque respirar é saúde. E sem saúde nós não somos absolutamente nada.

Quando uma pessoa não respira bem, ela não dorme bem, não tem disposição, se sente cansada e perde qualidade de vida. A respiração influencia tudo.

É claro que a parte estética também tem relação com saúde, especialmente com autoestima e autoconfiança. Mas o nariz precisa ser bonito e, acima de tudo, funcionar. Não adianta ter um nariz bonito que não permite uma boa respiração.

Na minha visão, a parte funcional vem sempre em primeiro lugar.

O que a medicina representa para você hoje?

Eu acredito que a medicina escolhe a pessoa, e não o contrário.

Ser médico exige renúncias. Passamos a juventude entre hospitais, plantões, livros e residências. É preciso amar profundamente o que fazemos, porque não é apenas uma profissão. É uma forma de viver.

Eu me sinto extremamente realizado. Mesmo em um dia difícil, basta um paciente me dizer que algo que fiz mudou a vida dele para tudo ganhar sentido novamente.

A medicina nunca foi um peso para mim. Pelo contrário. Sempre foi um propósito.

E acho que nunca podemos perder essa essência. Hoje, muitas vezes, as pessoas enxergam a medicina como uma promessa financeira, mas ela vai muito além disso. Os pacientes percebem quando encontram um médico que realmente ama o que faz.

Para mim, a medicina é uma missão dada por Deus. E sou profundamente grato pela oportunidade de transformar a vida das pessoas todos os dias.

“O nariz precisa ser bonito, mas precisa funcionar. Respirar é saúde. E saúde é a base de tudo.”

Foto: Lethicia Shirata

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