As máscaras de LED vêm ganhando espaço entre os tratamentos voltados ao rejuvenescimento da pele. Estudos clínicos indicam que a fotobiomodulação, especialmente com luz vermelha e infravermelha próxima, pode melhorar parâmetros como elasticidade, textura e aparência de rugas. No entanto, não há evidências suficientes para afirmar que a tecnologia seja mais eficaz do que tratamentos injetáveis.
Um estudo clínico publicado no Scientific Reports avaliou uma máscara de micro-LED desenvolvida para se adaptar ao contorno do rosto. Os pesquisadores observaram melhorias significativas na elasticidade, flacidez e rugas em diferentes regiões faciais. Em uma das áreas avaliadas, a elasticidade profunda da pele apresentou aumento de até 340% em comparação com uma máscara de LED convencional.
Outro ensaio clínico, publicado no Journal of Cosmetic Dermatology, acompanhou 24 pessoas que utilizaram em casa um dispositivo de LED com comprimentos de onda de 637 e 854 nanômetros. Após oito semanas, a elasticidade da pele foi significativamente maior no lado tratado em comparação ao lado controle.
A explicação está relacionada ao mecanismo conhecido como fotobiomodulação. A luz vermelha e a infravermelha próxima podem estimular processos celulares associados à atividade dos fibroblastos e ao remodelamento de componentes da pele, incluindo o colágeno. Um estudo clínico anterior, com 76 participantes, encontrou aumento da elasticidade e redução de rugas após sessões de LED, além de alterações histológicas compatíveis com aumento de fibras de colágeno e elastina.
LED não é sinônimo de tratamento injetável
Apesar dos resultados promissores, comparar diretamente uma máscara de LED com procedimentos injetáveis exige cautela. Os estudos que demonstraram benefícios da fotobiomodulação não estabelecem que a tecnologia seja superior a aplicações de substâncias injetáveis utilizadas na dermatologia estética.
A Academia Americana de Dermatologia (AAD) explica que a luz vermelha pode produzir resultados que vão de discretos a perceptíveis em sinais de envelhecimento, incluindo rugas e flacidez. Entretanto, a entidade ressalta que os dispositivos variam bastante entre si e que ainda são necessárias mais pesquisas para determinar quais parâmetros oferecem os melhores resultados.
Para a dermatologista Zakia Rahman, professora clínica de dermatologia da Stanford University School of Medicine, a fotobiomodulação é uma área em expansão, mas ainda existem questões sobre os parâmetros ideais de tratamento. A especialista destaca que a tecnologia pode ser utilizada em diferentes contextos dermatológicos.
Outro especialista citado pela AAD, o dermatologista Amit Om, ressalta que profissionais costumam utilizar a luz vermelha como complemento de outros tratamentos para sinais de envelhecimento, e não necessariamente como substituição de procedimentos já estabelecidos.
Resultados dependem do equipamento e da frequência
Também é importante diferenciar equipamentos profissionais de máscaras destinadas ao uso doméstico. A intensidade da luz, o comprimento de onda, o tempo de exposição e a frequência das sessões podem influenciar os resultados.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine encontrou evidências de potencial benefício dos LEDs em diferentes aplicações dermatológicas, mas destacou diferenças importantes entre os estudos e a necessidade de pesquisas adicionais para estabelecer protocolos mais consistentes.
Por isso, a máscara de LED pode ser considerada uma alternativa não invasiva e complementar para quem busca melhorar a qualidade e alguns sinais de envelhecimento da pele. Mas afirmar que ela é mais eficaz do que injeções seria ir além do que as pesquisas disponíveis atualmente conseguem demonstrar.
A tendência, segundo especialistas, é que a fotobiomodulação ocupe cada vez mais espaço como parte de estratégias combinadas de rejuvenescimento. A escolha entre LED, procedimentos injetáveis ou outras tecnologias deve considerar o objetivo do tratamento, as características da pele e a avaliação individual feita por um dermatologista.