Um novo estudo reforça o peso dos primeiros mil dias de vida do período gestacional aos dois anos de idade na formação da saúde cardiovascular ao longo de toda a vida. Pesquisadores observaram que a redução do consumo de açúcar nesse período crítico pode diminuir de forma significativa o risco de doenças cardíacas até a vida adulta avançada, chegando a impactos que se estendem por mais de seis décadas.
Segundo especialistas, os primeiros mil dias representam uma janela biológica sensível, na qual o metabolismo, a estrutura dos vasos sanguíneos e o equilíbrio hormonal estão em formação acelerada. A ingestão elevada de açúcar nessa fase pode alterar mecanismos ligados à inflamação, resistência à insulina e pressão arterial, ampliando a predisposição para problemas cardíacos no futuro.
A cardiopediatra Dra. Renata Silveira, especialista em prevenção de risco cardiovascular precoce, afirma que “o açúcar em excesso na primeira infância modifica padrões metabólicos que acompanham o indivíduo por toda a vida. Reduzir esse consumo não é apenas uma escolha nutricional; é uma medida de prevenção cardiovascular de longo prazo”.
O estudo também aponta que os hábitos alimentares dos pais influenciam diretamente a formação de preferências gustativas do bebê. Quanto maior a exposição precoce ao açúcar, maior a chance de a criança desenvolver, na adolescência e na vida adulta, um padrão alimentar rico em simples e ultraprocessados fatores que elevam o risco de hipertensão, obesidade e doenças coronarianas.
A nutricionista materno-infantil Dra. Lúcia Andrade explica que as recomendações incluem evitar açúcares adicionados em mamadeiras, sucos, chás e alimentos industrializados destinados a bebês. “A alimentação dos primeiros anos deve priorizar frutas in natura, legumes, proteínas e alimentos minimamente processados. Essa base nutricional protege o coração de forma duradoura”, destaca.
Os pesquisadores reforçam que não se trata de eliminar o açúcar ao longo da vida, mas sim de evitar sua introdução precoce. A adoção de hábitos saudáveis no início da existência configura uma das estratégias mais eficazes de prevenção em saúde pública, com impacto direto na redução de doenças crônicas nas próximas gerações.


