O crescimento acelerado dos casos de miopia em crianças e adolescentes tem preocupado especialistas em saúde ocular em todo o mundo. O que antes era considerado um problema genético ou pontual, hoje é reconhecido como um fenômeno multifatorial, fortemente associado ao estilo de vida moderno, marcado pelo uso excessivo de telas e pela redução do tempo ao ar livre.
De acordo com o oftalmologista Dr. Paulo Schor, livre-docente da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), a visão infantil está em constante desenvolvimento, especialmente nos primeiros anos de vida. Quando a criança passa muitas horas focada em objetos próximos como celulares, tablets e computadores o globo ocular tende a se alongar, favorecendo o surgimento da miopia.
“Os olhos das crianças não foram projetados para permanecer longos períodos em visão de curta distância. A falta de variação visual compromete o desenvolvimento ocular”, explica o especialista.
Além do foco constante de perto, outro fator decisivo é a baixa exposição à luz natural. Estudos internacionais demonstram que a luz solar estimula a liberação de dopamina na retina, substância que ajuda a regular o crescimento do olho. Crianças que passam mais tempo ao ar livre apresentam menor risco de desenvolver miopia, independentemente do histórico familiar.
O problema vai além da necessidade de óculos. A miopia progressiva aumenta o risco de complicações futuras, como descolamento de retina, glaucoma e degeneração macular na vida adulta. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é fundamental, principalmente em crianças em idade escolar.
Especialistas recomendam estratégias simples, mas eficazes: limitar o tempo de telas, incentivar pausas visuais (como a regra 20-20-20), promover atividades externas diariamente e garantir boa iluminação durante leituras e estudos. A prevenção, nesse caso, é uma intervenção de saúde pública que começa dentro de casa e na escola.