O café da manhã é frequentemente divulgado como a refeição mais importante do dia. No entanto, a forma como essa refeição é construída atualmente levanta um alerta importante. Muitos alimentos comercializados como “saudáveis”, “fitness” ou “ricos em proteínas” escondem um alto grau de processamento industrial, tornando-se o que especialistas chamam de ultraprocessados invisíveis.
Segundo o Dr. Carlos Monteiro, coordenador do NUPENS/USP e criador da Classificação NOVA de alimentos, o problema não está apenas no excesso de açúcar ou gordura, mas na própria estrutura industrial desses produtos. Iogurtes com sabor, cereais matinais, barrinhas, bebidas lácteas e pães industrializados frequentemente contêm aditivos, emulsificantes, corantes e aromatizantes que não fazem parte da alimentação tradicional.
“O corpo não reconhece esses produtos como alimento de verdade. Isso altera mecanismos de saciedade, inflama o organismo e favorece o consumo excessivo”, explica o pesquisador.
Esses ultraprocessados interferem diretamente na microbiota intestinal, comprometendo a regulação do apetite e o metabolismo da glicose logo nas primeiras horas do dia. O resultado é um ciclo de picos de fome, cansaço precoce e maior desejo por alimentos calóricos ao longo do dia.
Outro ponto crítico é o marketing nutricional. Termos como “zero açúcar”, “baixo teor de gordura” ou “fonte de fibras” criam uma falsa percepção de saúde, desviando a atenção do consumidor do grau de processamento. Estudos mostram que pessoas que consomem mais ultraprocessados no café da manhã apresentam maior risco de obesidade, doenças cardiovasculares e inflamação crônica.
A recomendação dos especialistas é clara: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, ovos, aveia, iogurte natural, pães artesanais e preparações caseiras. Um café da manhã simples, baseado em comida de verdade, é uma estratégia poderosa de proteção metabólica e inflamatória.