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Paulo Alberto e a Engenharia Que Conecta Brasil e América Latina No Entretenimento Cristão

Conversamos com Paulo Alberto, diretor executivo da DMG Digital Music Group LATAM e fundador da Criativum no Brasil e nos Estados Unidos

Paulo Alberto comanda, dos Estados Unidos, a operação latino-americana da DMG Digital Music Group, ligada à ADA Latin, braço de distribuição independente do Warner Music Group para o mercado hispânico. À frente também da Criativum, empresa que fundou no Brasil há quase duas décadas, conduz duas estruturas com escopos distintos e um eixo comum: conectar o mercado brasileiro à América Latina por meio de uma engenharia de distribuição que reúne ADA Brasil e ADA Latinsob a mesma cadeia internacional.

A leitura do executivo é direta. O Brasil concentra o segundo maior mercado fonográfico das Américas e o oitavo do mundo. Aproximá-lo do circuito hispânico, dentro de uma operação atrelada ao Warner Music Group, abre uma rota de intercâmbio entre artistas, repertórios e estratégias que até pouco tempo seguia fragmentada. A movimentação acompanha o avanço da música cristã latino-americana, segmento que conquistou audiência massiva, força cultural e passou a interessar grandes empresas internacionais.

Com mais de vinte anos de atuação no setor, Paulo Alberto é membro das academias do Prêmio Multishow, Latin Grammy e GMA Dove Awards, reúne certificações de três vezes Diamantes, cinco Platinas e cinco Ouros como diretor artístico e assina o Dom Reality, apontado como o primeiro reality show de música cristã da América Latina. Sob sua direção, a Criativumtrabalhou ao lado de artistas premiados em Latin Grammy e Dove Awards, com participações em processos ligados ao Grammy Awards e ao Multishow.

Em entrevista ao Portal Pulsar Brasil, o executivo detalha como articula as duas frentes, o que muda na carreira dos artistas com o acesso à estrutura da DMG LATAM/ADA Latin, o papel do Dom Reality dentro da profissionalização do segmento e o que ainda separa o entretenimento cristão latino-americano dos padrões consolidados da indústria fonográfica.

Você assume a direção executiva da DMG LATAM em um momento em que a música cristã latino-americana passa a interessar a grandes selos internacionais. Como enxerga esse cenário e o que pesou na decisão de conduzir uma operação regional ligada à estrutura da ADA Latin (Warner Music Group)?

Acredito que o fator para assumir uma posição como essa, liderando uma operação para toda a América Latina, é a forte possibilidade de conexão entre os mercados. O mercado brasileiro é o segundo maior mercado das Américas e o oitadodo mundo e acredito que, como temos uma estrutura extremamente consolidada no Brasil, ter a América Latina também trabalhando no mesmo ritmo, sendo convidada a gerar produtos em colaboração, fazer intercâmbio entre artistas e desenvolver projetos inovadores em ambos os mercados é minha grande missão. Eu acredito que tudo isso enriquece a cena da música cristã, não só brasileira e tampouco apenas a latina. Então, para mim, a decisão veio da necessidade e da intenção de fazer esse multimercado de uma maneira inteligente, responsável e com certeza repleta de propósito.

Criativum e DMG LATAM têm escopos distintos, mas convivem sob a sua liderança. Como o senhor articula essas duas frentes no cotidiano e quais decisões cabem a cada estrutura?

Eu fundei a Criativum há quase 20 anos atrás, já na época, 2008, com a necessidade de responder a algumas dores da classe artística, como estratégias de lançamento e comunicação através das plataformas e redes sociais existentes desde então. Com a evolução do mercado, o meu trabalho também foi evoluindo e eu fui entregando através da Criativum soluções criativas, projetos artísticos dedicados à mensagem e à personalidade de cada artista, fazendo disso um dos meus diferenciais, indo na contramão e gerando produtos cada vez mais orgânicos e de grande potencial de conexão com a audiência. Já na DMG Latam, que é uma operação que a gente está aí há alguns meses ativamente na América Latina, mas que no Brasil opera há alguns anos, a nossa intenção é proporcionar para o artista, esteja ele chegando no mercado agora ou ao mais bem posicionado, uma estrutura onde ele tenha a liberdade e as decisões sobre sua carreira e conte com uma estrutura de uma major, porque a conexão que temos com a ADA Latin é algo extremamente relevante e um diferencial absurdo para o desenvolvimento da carreira desse artista, seja ele grande, consolidado, premiado, reconhecido, ou aquele que está buscando soluções práticas para a distribuição do seu catálogo. Então as minhas frentes de atuação são distintas nas duas companhias. Em uma crio junto ao artista, crio soluções de entretenimento, desenvolvo projetos específicos e na outra, lidero a operação que abraça todo continente potencializando carreiras e abrindo portas ao lado de parceiros incríveis.

Mais de duas décadas no mercado brasileiro de entretenimento cristão antecedem a operação latino-americana. O que dessa trajetória se mostrou decisivo para conduzir negociações e desenvolvimento artístico em escala regional?

Acredito que quando você trabalha por 20 anos em um mercado que você está constantemente sendo exposto a novas produções,criando novos projetos, trabalhando com os maiores artistas do segmento, participando dos maiores movimentos, dos maiores eventos, sendo constantemente premiado, é certamente oresultado de um trabalho extremamente sólido e bem executado. Quando eu entendi que talvez eu não teria tantas oportunidades em continuar crescendo por entender que cheguei a um lugar extremamente relevante e alto dentro do mercado, eu me inclinei a poder aceitar um novo desafio que é entender, mergulhar e trabalhar no mercado de música latino-americano. Então hoje, olhar para a posição que eu estou de trabalho, liderando uma operação tão gigante, acredito que sim, tem muita colaboração, resiliência, dedicação, tem compromisso e ética profissional que desenvolvi ao longo desses 20 anos. Então eu acredito que tudo na vida acaba sendo uma colheita de uma semente que você plantou um período atrás. No meu caso, foram 20 anos plantando inúmeras sementes, colhendo bons frutos e agora eu me sinto extremamente pronto para poder viver esse desafio, abraçando a América Latina com um carinho especial e aprendendo com os que estão à minha volta nessa nova fase.

A parceria com a ADA Latin, braço independente do Warner Music Group, dá à DMG LATAM acesso a uma das maiores redes de distribuição do mercado. Para além da logística, o que essa associação representa para o posicionamento de artistas cristãos latinos no circuito internacional?

A parceria com ADA Latin representa muito mais do que distribuição. Ela coloca os artistas cristãos latino-americanos dentro de uma estrutura global que durante muitos anos esteve acessível apenas para parte do mercado mainstream. Quando falamos de uma operação como a DMG LATAM ligada ao ecossistema do Warner Music Group, estamos falando de acesso estratégico, relacionamento internacional, inteligência de mercado, presença editorial, networking global e possibilidades reais de expansão para novos territórios.

Durante muito tempo, a música cristã latino-americana cresceu de forma extremamente orgânica, forte localmente, mas com pouca conexão internacional estruturada. Hoje o cenário mudou. O mercado global começou a olhar para esses artistas não apenas pelo tamanho da audiência, mas pela força cultural, pelo engajamento e pela relevância que esse movimento conquistou em países como Brasil, México, Colômbia e em toda a comunidade latina nos Estados Unidos.

A DMG LATAM nasce justamente para ajudar a construir essa ponte. Não apenas distribuir músicas, mas conectar artistas, repertórios e narrativas latino-americanas a uma operação global preparada para potencializar esses projetos. Isso impacta diretamente o posicionamento dos artistas. Eles passam a operar com uma visão internacional, com estratégias regionais, campanhas mais integradas e oportunidades que antes eram muito mais distantes, como colaborações multiculturais, expansão editorial, sincronizações, desenvolvimento de catálogo e crescimento consistente em novos mercados.

No fim, acredito que o mais importante é que essa parceria ajuda a validar algo que nós já sabíamos há muito tempo: a música cristã latina e brasileira tem relevância global, qualidade artística e capacidade de competir em alto nível em qualquer mercado do mundo.

O Dom Reality é apontado como o primeiro reality show de música cristã da América Latina. Como o projeto nasceu e qual leitura o senhor faz do que ele revelou sobre a maturidade do segmento na região?

O Dom Reality hoje, sem dúvidas, é o maior ou o único reality show de música cristã de toda a América Latina. Então, poder experimentar isso, tirar isso da cabeça, ver o projeto transformando vidas, abrindo portas, possibilitando encontros com grandes referências, aproximando a audiência do próprioartista e motivando a uma geração extremamente artística a acreditar na sua própria mensagem, viver a sua própria verdade, é algo que não tem preço. Então, a leitura que eu faço sobre o que revela o Dom Reality é que, primeiro, há uma carência muito grande no mercado de oportunidades para uma classe artística que não tem os acessos que muitos outros têm. Não tem acesso à gravadora, não tem acesso à distribuidora, não tem acesso à informação no geral. E o Dom é uma resposta a isso. Quando criamos o Dom Reality, foi na necessidade de primeiro, entregar um produto de entretenimento cristão, extremamente focado e bem produzido e segundo, ser um palco para revelar não só talentos vocais, mas contar histórias, mostrar os desafios e, através de tudo isso, incentivar e motivar a audiência em geral a continuar perseguindo os seus sonhos. Então, se eu fosse resumir o Dom Reality no mercado de música cristã brasileira, eu diria como uma das maiores inovações e uma plataforma extremamente relevante que não só conversa com a mídia cristã, mas com todo o Brasil e com todo o tipo de canal.

A profissionalização do entretenimento cristão latino-americano vem se acelerando nos últimos anos. O que ainda separa esse mercado dos padrões consolidados em outros segmentos da indústria fonográfica?

Eu acredito que, por ser um mercado tão grande, tão distinto, tão local, ao mesmo tempo tão nacional, as coisas antes caminhavam de forma independente por vários lados. Então a grande igreja tinha o seu grande ministério de louvor, que liderava a sua própria operação. Já tínhamos uma outra gravadora que tinha uma segmentação mais específica, tinha um nicho de sonoridade, de mensagem. Então a gente via que por muito tempo muitas coisas caminharam e se tornaram muito grandes sem uma comunicação entre si. E eu acredito que hoje, à medida que tudo se torna mais conectado, essa comunicação se fez necessária. E aí acabamos vendo muito mais colaboração do que alguns anos atrás. Para você ver artistas cantando as mesmas faixas ou participando dos projetos uns dos outros, é algo maiscomum do que há alguns anos, onde isso era um feito específico e na maioria das vezes muito interno, entre artistas da própria gravadora, por exemplo. Eu acredito que a necessidade de uma comunicação mais rápida, ampla e de uma conexão mais focada na relação, tem tornado o mercado mais organizado e entendendo mais um ao outro para que as coisas funcionem de uma maneira extremamente positiva e benéfica para todos os lados.

Em sua avaliação, o que diferencia um artista capaz de se sustentar no longo prazo daquele que tem visibilidade pontual em um mercado cada vez mais competitivo?

Eu vejo que para um artista se sustentar ao longo do tempo é necessário estratégia e uma estratégia requer de você investimento, não só financeiro, mas de tempo. O artista que entende que a carreira dele não é momentânea, não é uma carreira pela busca de um único hit, mas sim de uma constância e está sempre sendo lembrado e ouvido pelo seu público e agregando sempre cada vez mais audiência, tem a probabilidade de ter muito mais sucesso do que o que se arrisca simplesmente para entrar em algum hype, em algum movimento de viralização ou de algo específico que vai tornar o seu nome lembrado, o seu rosto reconhecido, mas que não garante uma estabilidade na carreira. Então a diferença para mim entre um artista que tem uma caminhada de longo prazo e um artista que vive o momento, está 100% apoiada no planejamento ou na falta dele.

Talentos e modelos de gestão formados no Brasil começam a ocupar espaço no mercado hispânico. Que peso essa virada deve ter na próxima geração de artistas latinos e nos acordos que conectarão nomes emergentes às grandes estruturas?

O Brasil desenvolveu, ao longo das últimas décadas, um ecossistema muito forte de música cristã. Não apenas artisticamente, mas também em gestão, comunicação, marketing, audiovisual, eventos e construção de comunidade. Isso criou profissionais, estratégias e modelos de operação extremamente maduros. Durante muito tempo, porém, o mercado brasileiro esteve mais isolado linguisticamente da América Latina. O que estamos vendo agora é justamente uma aproximação muito mais natural entre esses mercados.

Acredito que essa nova geração de artistas latinos será impactada diretamente por essa troca. O Brasil passou anos aprendendo a construir carreiras sólidas, audiências massivas e movimentos culturais relevantes dentro da música cristã. E hoje existe um interesse muito grande do mercado hispânico em entender como parte dessa estrutura foi construída. Ao mesmo tempo, a América Latina hispânica possui uma força cultural, uma identidade musical e uma capacidade de expansão internacional muito relevantes, especialmente pela conexão natural com o mercado americano latino.

Quando esses dois mundos começam a colaborar de maneira estratégica, surgem oportunidades muito poderosas. Não apenas para artistas consolidados, mas principalmente para novos talentos que agora conseguem nascer já pensando de maneira regional e internacional. A tendência é que os próximos acordos do mercado sejam cada vez mais híbridos, mais estratégicos e menos limitados por fronteiras locais. Os artistas vão buscar parceiros capazes de oferecer não só distribuição, mas visão regional, inteligência de marketing, posicionamento cultural e conexões internacionais reais.

Nesse cenário, estruturas como a DMG LATAM ao lado da ADA Latin acabam tendo um papel importante justamente por ajudar a conectar esses mercados, culturas e talentos dentro de uma mesma visão de expansão global. Acredito que a próxima geração de artistas cristãos brasileiros e latinos será muito mais colaborativa, multicultural e preparada para operar globalmente desde o início da carreira.

Diego Abaroa – Vice Presidente ADA Latin – na sede da Warner Music Latina em miami

A movimentação capitaneada por Paulo Alberto traduz um momento em que o entretenimento cristão latino-americano deixa de operar em compartimentos isolados e passa a se organizar como mercado integrado. A presença de um executivo brasileiro à frente de uma operação regional como a DMG LATAM, ancorada na estrutura do Warner Music Group, somada à articulação entre ADA Brasil e ADA Latin, sinaliza que talentos, modelos de gestão e narrativas construídos no país começam a circular com mais agilidade pelo continente. Resta acompanhar como essa arquitetura, mais colaborativa e menos limitada por fronteiras locais, vai moldar a próxima geração de artistas e os acordos que conectarão nomes emergentes às grandes estruturas internacionais.

Foto: Trumpas

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