Encontrar muitos fios no travesseiro, no ralo do banho ou na escova pode gerar preocupação. Mas queda de cabelo não é um diagnóstico único. Existem diferentes tipos de alopecia e condições que podem provocar aumento temporário da perda dos fios.
Por isso, um dos principais erros é tentar tratar qualquer queda da mesma maneira. O primeiro passo deve ser entender qual é a causa da perda capilar.
Segundo a dermatologista Dra. Ana Cristina Diniz Silva, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a investigação da queda de cabelo deve considerar o padrão da perda, o histórico do paciente e possíveis fatores desencadeantes. A avaliação dermatológica é importante justamente porque diferentes tipos de alopecia podem apresentar características distintas.
Nem sempre é calvície
Uma das causas de queda acentuada é o eflúvio telógeno, situação em que uma quantidade maior de fios entra simultaneamente na fase de queda.
O problema pode surgir após situações como febre, infecções, cirurgias, dietas muito restritivas, perda significativa de peso, estresse físico ou emocional e outras alterações no organismo.
A American Academy of Dermatology explica que esse tipo de queda costuma aparecer alguns meses depois do evento desencadeante e, em muitos casos, é temporário.
Já a alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície, apresenta outro padrão. Nos homens, é comum ocorrer rarefação progressiva nas entradas e na região superior da cabeça. Nas mulheres, pode haver aumento da largura da risca central e redução gradual da densidade dos cabelos.
Quando aparecem falhas no couro cabeludo
Nem toda queda acontece de maneira uniforme.
Na alopecia areata, por exemplo, podem surgir áreas arredondadas ou ovais sem cabelo. A condição está relacionada a uma reação do sistema imunológico contra os folículos capilares e pode apresentar diferentes graus de intensidade.
Também existem formas de queda relacionadas à tração, causadas por penteados que mantêm os fios constantemente sob tensão. Quando esse hábito permanece por muito tempo, pode ocorrer dano permanente aos folículos.
Existem ainda alopecias inflamatórias e cicatriciais que precisam de diagnóstico e tratamento específicos.
Por que o tratamento precisa ser individualizado?
Porque o que funciona para um tipo de queda pode não ser indicado para outro.
Um paciente com alopecia androgenética pode receber uma estratégia diferente daquela utilizada para alguém com eflúvio telógeno. Da mesma forma, uma pessoa com alopecia areata precisa de uma avaliação específica para determinar a extensão da doença e as opções terapêuticas.
A American Academy of Dermatology reforça que identificar corretamente o tipo de queda é fundamental para definir o tratamento mais adequado.
Por isso, recorrer diretamente a vitaminas, suplementos, shampoos ou medicamentos sem saber a causa pode atrasar o diagnóstico correto.
Quando procurar ajuda?
A avaliação com dermatologista é recomendada quando a queda é intensa, permanece por um período prolongado, surge de forma repentina ou provoca falhas visíveis no couro cabeludo.
Também é importante procurar atendimento quando existem sintomas associados, como coceira persistente, descamação, vermelhidão, dor ou feridas.
O especialista pode avaliar o couro cabeludo, observar o padrão da perda dos fios e solicitar exames quando houver necessidade.
Cabelo caindo não significa automaticamente calvície. Antes de escolher um tratamento, é preciso descobrir o motivo da queda.
Quanto mais preciso for o diagnóstico, maiores são as chances de escolher uma estratégia adequada para preservar os fios e a saúde do couro cabeludo.
Fontes: American Academy of Dermatology (AAD); Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); literatura dermatológica sobre alopecias e eflúvio telógeno.