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SOP: a síndrome que afeta uma em cada dez mulheres e ainda demora anos para ser diagnosticada

Foto/ Reprodução: Internet

A síndrome dos ovários policísticos é a alteração hormonal mais comum entre mulheres em idade reprodutiva no mundo. Afeta entre 8% e 13% desse grupo, segundo a Organização Mundial da Saúde, o que representa dezenas de milhões de pessoas. E ainda assim, o diagnóstico médio leva entre dois e três anos para ser estabelecido a partir do início dos sintomas. O tempo perdido tem consequências que vão muito além do ciclo menstrual.

A SOP não é uma doença dos ovários no sentido estrito. É uma disfunção endócrina e metabólica que se manifesta de formas variadas: ciclos irregulares ou ausentes, excesso de androgênios que se traduz em acne, queda de cabelo e crescimento de pelos em regiões não habituais, e ovários com múltiplos folículos pequenos visíveis ao ultrassom. Nem toda mulher com SOP apresenta todos esses sinais, o que torna o diagnóstico mais complexo e explica parte do atraso.

O que preocupa especialistas não é apenas o impacto reprodutivo, embora a SOP seja a principal causa de infertilidade de origem ovulatória. É o risco metabólico de longo prazo. Mulheres com SOP têm predisposição aumentada para resistência à insulina, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. Esses riscos se agravam na ausência de diagnóstico e manejo adequados e se reduzem de forma significativa quando a síndrome é identificada e tratada com consistência.

O tratamento é individualizado e depende das queixas e objetivos de cada paciente. Para quem não planeja engravidar no momento, anticoncepcionais hormonais controlam os sintomas androgênicos e regularizam o ciclo. Para quem deseja gestação, existem protocolos específicos de indução da ovulação. Em ambos os casos, mudanças de estilo de vida com ênfase em alimentação e atividade física têm impacto direto sobre a resistência insulínica e sobre a qualidade de vida.

SOP não tem cura, mas tem manejo. O problema é que ele começa pelo diagnóstico, e o diagnóstico ainda demora mais do que deveria.

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