Fácil acesso e banalização do medicamento preocupam médicos; uso sem orientação pode mascarar problemas mais graves.
A tadalafila, princípio ativo amplamente conhecido por tratar a disfunção erétil, tem sido cada vez mais utilizada de forma indiscriminada por homens jovens e saudáveis — muitas vezes sem qualquer prescrição médica. A promessa de melhorar o desempenho sexual tem levado à banalização do medicamento, mas especialistas alertam: o uso frequente e sem necessidade pode levar à dependência psicológica.
Segundo o urologista Dr. Ricardo Azevedo, esse tipo de uso recreativo cria um ciclo perigoso. “Homens que começam a tomar tadalafila por conta própria passam a acreditar que só conseguem ter relações satisfatórias com o remédio. Isso afeta diretamente a autoestima e pode gerar insegurança nas relações futuras”, afirma.
Diferente da dependência química, que envolve alterações bioquímicas no organismo, a dependência psicológica está ligada à crença de que é impossível obter determinado resultado — neste caso, o desempenho sexual — sem o uso da substância. Isso pode impactar a saúde mental, aumentar níveis de ansiedade e afetar negativamente a vida sexual e afetiva.
Outro ponto preocupante é que o uso da tadalafila sem orientação médica pode mascarar doenças como hipertensão, diabetes ou disfunções hormonais, que são causas reais de disfunção erétil. Ao esconder os sintomas com a medicação, o paciente adia o diagnóstico e o tratamento adequados.
Além disso, embora considerada segura quando prescrita corretamente, a tadalafila pode causar efeitos colaterais como dores de cabeça, tontura, desconforto gástrico, rubor facial e, em casos mais raros, alterações na visão.
A orientação dos especialistas é clara: não se automedique. Problemas de ereção, mesmo que esporádicos, devem ser avaliados por um médico. E para quem busca melhorar o desempenho sexual, hábitos como alimentação balanceada, prática de exercícios, controle do estresse e sono de qualidade ainda são os aliados mais eficazes — e seguros.