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Baixa adesão à vacinação contra gripe e covid-19 eleva riscos para gestantes no Brasil

Baixa adesão à vacinação contra gripe e covid-19 eleva riscos para gestantes no Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A resistência à imunização contra a gripe e a covid-19 tem gerado preocupação entre autoridades de saúde, colocando gestantes e puérperas em uma situação de vulnerabilidade evitável. Enquanto parte do público mantém o calendário vacinal em dia, como observado em unidades de saúde do Rio de Janeiro, os índices nacionais de cobertura permanecem distantes da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde para ambos os imunizantes.

Impacto da hesitação vacinal nos índices de saúde

Os dados oficiais revelam uma disparidade preocupante entre a proteção necessária e a realidade da adesão. Em 2025, apenas 55% das gestantes buscaram a vacina contra a covid-19, enquanto a cobertura para influenza atingiu 63% nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Embora os números preliminares de 2026 indiquem uma leve melhora para a gripe, com 76% de cobertura, a vacinação contra a covid-19 permanece estagnada no patamar de 55%.

A hesitação em se vacinar reflete diretamente nas estatísticas de morbidade e mortalidade. Entre 2022 e agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por vírus influenza, resultando em 25 óbitos. No mesmo período, a covid-19 foi responsável por, no mínimo, 205 casos graves e 21 mortes, evidenciando que a ameaça persiste mesmo após o período mais crítico da pandemia.

Desinformação e subestimação dos riscos virais

Especialistas apontam que a baixa adesão é sustentada por dois pilares principais: a desvalorização da gravidade da gripe e a propagação de mitos sobre os imunizantes contra a covid-19. Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que a percepção de que a vacina contra o coronavírus seria experimental é infundada, ignorando o rigor científico e a colaboração global no desenvolvimento da tecnologia.

A desinformação acaba por obscurecer os benefícios comprovados da vacinação. Estudos científicos, como os publicados na plataforma PMC, demonstram que a introdução das vacinas para gestantes reduziu a taxa de casos mensais de SRAG para um terço do volume anterior, além de tornar a mortalidade quase cinco vezes menor do que nos períodos sem proteção vacinal.

Cenário atual e a necessidade de proteção

Apesar dos avanços, o cenário ainda exige atenção redobrada. Atualmente, a covid-19 e a influenza respondem por quase 30% dos casos de SRAG em gestantes e puérperas no Brasil. Quando o recorte é focado apenas nos óbitos, essa parcela ultrapassa 50%, reforçando que a proteção imunológica é um fator determinante para a preservação da vida tanto da mãe quanto do bebê.

A orientação dos profissionais de saúde permanece clara: o acompanhamento pré-natal deve incluir a checagem rigorosa da carteira de vacinação. A imunização não apenas previne complicações imediatas, mas atua como uma barreira essencial contra o agravamento de quadros respiratórios que, sem a devida proteção, podem evoluir para desfechos fatais.

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