A influenciadora digital Viih Tube, de 26 anos, comunicou publicamente que encerrará sua trajetória como criadora de conteúdo na internet. Em anúncio realizado na quarta-feira, 7, a influenciadora estabeleceu o dia 30 de novembro como a data para o início de seu afastamento definitivo das plataformas digitais. A decisão, segundo a própria, é motivada por questões emocionais e pela percepção de que o ambiente virtual perdeu seu propósito original.
Em seu relato, a influenciadora destacou que a dinâmica de trabalho nas redes sociais deixou de ser uma fonte de satisfação pessoal. Ela relembrou que, no início de sua carreira, a produção de conteúdo era pautada pela espontaneidade e pelo afeto, elementos que, em sua visão, foram substituídos por uma lógica estritamente financeira e de exposição constante. A partir de agora, o foco de sua atuação profissional será direcionado para a mentoria de novos criadores.
Desafios e repercussões na trajetória profissional
O anúncio ocorre meses após um período de instabilidade na carreira da influenciadora. Em julho, Viih Tube já havia desativado temporariamente suas contas em redes como Instagram, TikTok e YouTube. O movimento coincidiu com a repercussão negativa do projeto As Patroas, desenvolvido em parceria com seu marido, Eliezer, que foi alvo de críticas severas quanto à exposição de funcionários e às condições de trabalho oferecidas.
A situação culminou em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Como parte do acordo, o casal comprometeu-se a realizar o pagamento de R$ 350 mil a título de danos morais coletivos. Embora o afastamento atual seja apresentado como uma mudança de rota, o histórico recente de escrutínio público e pressões profissionais compõe o contexto da decisão de encerrar sua presença digital.
A complexa relação entre saúde mental e redes sociais
O relato de Viih Tube sobre a perda de sentido no trabalho online ecoa discussões amplas sobre a saúde mental no ambiente digital. Especialistas apontam que a transformação de atividades de lazer em vitrines de performance profissional pode gerar um desgaste profundo. Quando a validação pessoal passa a depender de métricas como curtidas e engajamento, o impacto psicológico torna-se um fator determinante na qualidade de vida do criador.
Mesmo para usuários que não dependem da internet para subsistência, a exposição contínua a comparações e a dificuldade de desconexão são temas recorrentes. O psicólogo Francisco Nogueira, do Instituto Sedes Sapientiae, reforça que não é necessário um diagnóstico clínico para que o indivíduo questione a forma como as tecnologias moldam seu cotidiano. A reflexão proposta é sobre como o uso excessivo de ferramentas digitais tem, na prática, condicionado o comportamento humano.
O mecanismo do vício em telas e a busca por dopamina
O fenômeno do vício em telas possui bases biológicas bem documentadas. Plataformas digitais utilizam algoritmos desenhados para capturar a atenção, estimulando o núcleo accumbens, região cerebral associada à liberação de dopamina. O psiquiatra Rodrigo Machado, da Universidade de São Paulo (USP), explica que esse neurotransmissor atua no sistema de recompensa, gerando um desejo constante por novos estímulos.
Com o tempo, o cérebro desenvolve uma tolerância a esses estímulos, exigindo períodos cada vez maiores de exposição para alcançar a mesma sensação de satisfação. Esse ciclo de busca por picos de dopamina explica por que muitos usuários sentem dificuldade em se desconectar, mesmo quando percebem que o hábito é prejudicial. A reportagem de VEJA SAÚDE detalha como esse processo afeta a saúde dos usuários.
Necessidade de um detox digital
Dados da consultoria Bain & Company indicam que brasileiros dedicam, em média, nove horas diárias ao uso de telas, sendo quase quatro delas exclusivas para redes sociais. A insatisfação com esse tempo é crescente: cerca de 28% dos usuários manifestam o desejo de reduzir o consumo de conteúdos digitais. Entre as principais queixas estão a distração excessiva, o prejuízo à saúde mental e o sentimento de culpa pelo uso prolongado.
Especialistas recomendam a implementação de períodos de desconexão como forma de recuperar a capacidade de concentração e proteger o bem-estar. A transição de Viih Tube para fora do ecossistema das redes sociais reflete uma tendência crescente de busca por alternativas que priorizem a vida offline e o equilíbrio emocional em detrimento da presença constante no ambiente virtual.