A vontade intensa de consumir doces no período da noite é uma queixa comum e, segundo especialistas, nem sempre está ligada apenas à falta de força de vontade. Em muitos casos, o desejo por açúcar pode ser um sinal de desequilíbrios fisiológicos, emocionais ou até da rotina alimentar ao longo do dia.
De acordo com a nutricionista e doutora em fisiologia Sophie Deram, restrições alimentares excessivas durante o dia podem aumentar a busca por alimentos doces à noite. Dietas muito rígidas, com baixo consumo de carboidratos ou calorias, levam o organismo a “cobrar” energia rapidamente disponível, papel que o açúcar cumpre de forma imediata.
O endocrinologista Márcio Mancini, professor da Faculdade de Medicina da USP, explica que o comportamento também pode estar relacionado a oscilações hormonais. À noite, há uma redução natural do cortisol e alterações na leptina e na grelina hormônios que regulam fome e saciedade. Esse desequilíbrio pode intensificar o desejo por alimentos calóricos, especialmente doces.
Outro fator relevante é o cansaço físico e mental acumulado ao longo do dia. Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o cérebro tende a buscar açúcar como uma forma rápida de estímulo e sensação de prazer, já que o consumo doce está associado à liberação de dopamina e serotonina, neurotransmissores ligados ao bem-estar.
Além disso, noites mal dormidas também influenciam esse comportamento. Estudos mostram que a privação de sono aumenta a vontade por alimentos ricos em açúcar e gordura, como forma de compensação energética. O corpo interpreta a fadiga como necessidade urgente de energia.
Especialistas reforçam que a solução não está em cortar totalmente o doce, mas em observar a rotina alimentar como um todo. Refeições equilibradas, com proteínas, fibras e carboidratos de boa qualidade ao longo do dia, ajudam a reduzir picos de desejo noturno. Manter uma boa hidratação e uma rotina de sono regular também são estratégias fundamentais.
A vontade de doce à noite pode ser um sinal de que algo precisa de ajuste seja na alimentação, no descanso ou no cuidado com o estresse. Ouvir o corpo, com orientação profissional, é o primeiro passo para transformar esse impulso em equilíbrio e saúde.