Entrar em sociedade é uma das decisões mais determinantes da trajetória de um negócio. E é, com frequência, uma das menos analisadas. O entusiasmo do projeto em comum, a complementaridade percebida de habilidades e a confiança construída em relações pessoais ou profissionais anteriores tendem a ocupar o espaço que deveria ser dado à avaliação criteriosa de compatibilidade, valores e modelo de operação. O resultado aparece depois, quando o dia a dia revela diferenças que o planejamento inicial não previu.
Sociedades se desfazem, em geral, não por incompetência técnica dos envolvidos, mas por desalinhamento em três eixos que raramente são discutidos com profundidade antes da formalização: visão de longo prazo, apetite a risco e modelo de tomada de decisão. Dois sócios podem ser igualmente competentes, igualmente comprometidos e igualmente honestos, e ainda assim tornarem-se um obstáculo um para o outro se um quer crescer de forma acelerada e o outro prioriza estabilidade, ou se um decide por instinto e o outro exige análise detalhada para qualquer movimento.
O contrato social bem estruturado não resolve incompatibilidade de perfil, mas organiza o que acontece quando os conflitos aparecem, porque aparecem. Define quem decide o quê, como se calculam retiradas, o que acontece em caso de saída de um dos sócios e em quais condições o negócio pode ser dissolvido. Um advogado especializado em direito empresarial não é custo no início de uma sociedade: é proteção para o que vem depois.
Antes de qualquer assinatura, vale uma conversa longa e honesta sobre dinheiro, sobre prioridades, sobre o que cada um está disposto a abrir mão e sobre o que não está. Sociedade que começa com clareza tem muito mais chance de durar do que uma que começa apenas com boa vontade.