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Menopausa: o que muda no corpo, o que a medicina oferece e o que ainda falta dizer

Foto/ Reprodução: Internet

A menopausa não é uma doença. É uma fase fisiológica da vida da mulher, definida clinicamente como a ausência de menstruação por doze meses consecutivos, resultado do declínio progressivo da função ovariana e da queda nos níveis de estrogênio e progesterona. Esse processo começa anos antes do último ciclo, num período chamado perimenopausa, e seus efeitos se estendem por tempo variável depois. O que ainda falta, em boa parte das conversas sobre o tema, é tratar essa fase com a mesma seriedade clínica dedicada a qualquer outra condição que afeta de forma significativa a qualidade de vida.

Os sintomas mais conhecidos, as ondas de calor e as alterações no sono, são apenas a superfície. A queda de estrogênio afeta a densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas. Altera o perfil lipídico, elevando o risco cardiovascular. Compromete a saúde urogenital, com ressecamento vaginal, desconforto nas relações sexuais e maior vulnerabilidade a infecções urinárias. Afeta a cognição, o humor e a disposição de formas que muitas mulheres descrevem como perda de si mesmas, mas que raramente são investigadas com o cuidado que merecem.

A terapia hormonal da menopausa permanece sendo o tratamento mais eficaz para o controle dos sintomas vasomotores e para a proteção óssea e cardiovascular em mulheres sem contraindicações. Décadas de desinformação alimentada por um estudo mal interpretado nos anos 2000 afastaram médicos e pacientes de um tratamento que, para grande parte das mulheres, representa melhora real e mensurável de qualidade de vida. O entendimento atual da medicina, baseado em evidências mais robustas e metodologia mais criteriosa, reposicionou a terapia hormonal como opção segura e recomendada para mulheres que iniciam o tratamento antes dos 60 anos ou dentro de dez anos após a menopausa.

Cada mulher chega a essa fase com um histórico diferente, um conjunto de sintomas diferente e uma relação diferente com o próprio corpo. O que não pode ser diferente é a qualidade da conversa que ela tem com o médico sobre o que está sentindo e o que é possível fazer.

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