PUBLICIDADE

Fibromialgia: a dor que não aparece no exame e ainda assim não para

Foto/ Reprodução: Internet

A fibromialgia tem o inconveniente de ser uma doença que não deixa rastro nos exames convencionais. Hemograma, bioquímica, ressonância magnética: tudo dentro dos limites de referência. E ainda assim o paciente relata dor generalizada, fadiga que não cede com o descanso, sono que não recupera, dificuldade de concentração e sensibilidade aumentada a estímulos que outras pessoas simplesmente não percebem. A ausência de marcadores objetivos foi, por décadas, argumento para minimizar o sofrimento de quem vivia com a condição. A ciência foi na direção oposta.

A fibromialgia é hoje reconhecida pela comunidade médica internacional como uma síndrome de sensibilização central. O sistema nervoso de quem tem fibromialgia processa a dor de forma amplificada: sinais que em outras pessoas não chegariam ao limiar da percepção dolorosa são interpretados como dor real e intensa. Não é exagero. Não é ansiedade disfarçada. É uma alteração no processamento neurológico da dor que tem base fisiopatológica documentada.

O diagnóstico é clínico, baseado em critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia, e exige a exclusão de outras condições que podem produzir sintomas semelhantes. O atraso diagnóstico médio ainda é longo: muitos pacientes percorrem anos entre especialistas diferentes antes de receber uma resposta que organize o que estão sentindo. Esse percurso tem custo emocional alto, especialmente quando inclui o questionamento da legitimidade da dor por parte de profissionais mal informados sobre a condição.

O tratamento combina abordagens farmacológicas e não farmacológicas. Exercício físico regular, com progressão gradual e orientação profissional, é uma das intervenções com maior evidência de eficácia. Psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, contribui para o manejo da dor crônica e da qualidade de vida. Medicamentos como antidepressivos duais e anticonvulsivantes são utilizados para modular a sensibilização central.

Fibromialgia não cura. Mas tem tratamento, tem manejo e tem qualidade de vida possível. Começar por um diagnóstico correto é o que torna o resto possível.

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

PUBLICIDADE