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Vape Pode Interferir no Desenvolvimento de Bebês no Útero, Aponta Estudo

O uso de cigarros eletrônicos durante a gestação pode estar associado a alterações no desenvolvimento fetal e a resultados desfavoráveis para o bebê. Evidências científicas recentes reforçam a preocupação de especialistas com o consumo de vape durante a gravidez, especialmente quando há presença de nicotina.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 no World Journal of Clinical Pediatrics analisou 14 estudos que, juntos, envolveram mais de 523 mil gestantes. Os pesquisadores encontraram associação entre a exposição ao cigarro eletrônico durante a gravidez e maior probabilidade de baixo peso ao nascer e de o bebê ser pequeno para a idade gestacional.

Os resultados são semelhantes aos observados em pesquisas anteriores. Uma meta-análise publicada em 2025, reunindo nove estudos e mais de 423 mil gestantes, também identificou associação entre o uso de cigarros eletrônicos durante a gestação e maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e crescimento abaixo do esperado para a idade gestacional.

A preocupação está relacionada não apenas ao aerossol produzido pelos dispositivos, mas também à nicotina. Segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), a nicotina atravessa a placenta e pode interferir no desenvolvimento do cérebro e dos pulmões do feto.

“A nicotina atravessa a placenta e pode ter efeitos adversos no desenvolvimento fetal”, alerta a entidade em suas orientações sobre o uso de tabaco e nicotina durante a gravidez.

Além da nicotina, os líquidos utilizados nos cigarros eletrônicos podem conter aromatizantes, metais e outras substâncias químicas. A composição varia de acordo com o produto e nem todos os efeitos da exposição a esses componentes durante a gestação são completamente conhecidos.

Um estudo experimental publicado em 2026 na revista Toxicological Sciences investigou os efeitos da exposição ao aerossol de cigarros eletrônicos durante a gestação em camundongos. Os pesquisadores observaram alterações no fluxo sanguíneo uterino e na placenta, além de sinais de comprometimento da função feto-placentária. Como a pesquisa foi realizada em animais, os resultados não podem ser automaticamente considerados equivalentes ao que ocorre em seres humanos, mas ajudam a investigar possíveis mecanismos envolvidos.

Apesar do crescimento das evidências, os pesquisadores destacam que ainda existem limitações importantes. Muitos estudos disponíveis são observacionais, o que dificulta determinar exatamente quanto dos efeitos encontrados pode ser atribuído exclusivamente ao vape, já que fatores como histórico de tabagismo, frequência de consumo e condições de saúde também podem influenciar os resultados.

Ainda assim, a recomendação médica é clara quanto à necessidade de evitar a exposição à nicotina durante a gestação. Para gestantes que utilizam cigarros eletrônicos, a orientação é procurar o obstetra ou a equipe responsável pelo pré-natal para receber acompanhamento e apoio adequado para interromper o consumo.

O alerta reforça que o fato de o cigarro eletrônico não produzir a fumaça característica do cigarro convencional não significa que seja seguro durante a gravidez. Para o desenvolvimento do bebê, reduzir a exposição a substâncias potencialmente tóxicas continua sendo uma das principais medidas de proteção.

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