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Uso Frequente de Enxaguante Bucal Pode Afetar a Saúde da Boca, Apontam Estudos

O enxaguante bucal costuma fazer parte da rotina de higiene de muitas pessoas, principalmente para combater o mau hálito e proporcionar uma sensação de limpeza. No entanto, pesquisas indicam que o uso frequente de alguns tipos de enxaguantes, especialmente os antissépticos, pode alterar o equilíbrio das bactérias presentes na boca.

Uma revisão sistemática publicada no International Journal of Environmental Research and Public Health analisou estudos clínicos sobre o impacto de enxaguantes antimicrobianos no microbioma oral. Os pesquisadores observaram que o uso diário pode modificar a composição das bactérias da boca, com efeitos que variam de acordo com a substância presente na fórmula. Em produtos à base de clorexidina, por exemplo, foi observada redução da diversidade microbiana. (PubMed)

O chamado microbioma oral é formado por uma grande variedade de microrganismos que vivem naturalmente na boca. Nem todas essas bactérias são prejudiciais. Algumas participam de processos importantes para o organismo, inclusive da transformação de nitrato em nitrito, etapa relacionada à produção de óxido nítrico.

Essa relação chamou a atenção de pesquisadores porque o óxido nítrico participa da regulação dos vasos sanguíneos e da pressão arterial. Estudos experimentais indicam que determinados enxaguantes antibacterianos podem reduzir a atividade dessas bactérias e interferir temporariamente nesse processo. (PubMed)

Uma pesquisa observacional publicada na revista Blood Pressure também encontrou associação entre o uso de enxaguante bucal duas ou mais vezes ao dia e uma maior incidência de hipertensão entre os participantes acompanhados. No entanto, os próprios pesquisadores destacam que esse tipo de estudo não é suficiente para provar que o enxaguante seja a causa do aumento da pressão arterial. (PubMed)

Os resultados, portanto, não significam que todo enxaguante bucal faça mal ou que o produto deva ser abandonado. A própria American Dental Association (ADA) reconhece que determinados enxaguantes terapêuticos podem ser úteis como complemento da higiene bucal, ajudando no controle de placa, gengivite, mau hálito e prevenção de cáries, dependendo da composição e da necessidade de cada paciente. (Ada)

Para o periodontista e pesquisador Mark A. Welch, da New York University, o uso contínuo e frequente de enxaguantes antissépticos merece cautela justamente porque eles podem interferir nas bactérias que desempenham funções importantes na boca. Em entrevista à ADA, o especialista destacou a necessidade de preservar o equilíbrio do microbioma oral. (Ada)

Outro ponto importante é que o enxaguante não substitui os principais cuidados de higiene. De acordo com a ADA, escovar os dentes duas vezes ao dia com creme dental fluoretado e realizar a limpeza entre os dentes diariamente continuam sendo medidas fundamentais para reduzir o risco de cáries e doenças gengivais. O enxaguante pode ser indicado como complemento em situações específicas. (Ada)

A recomendação, portanto, não é abandonar o produto, mas evitar seu uso indiscriminado. A escolha do tipo de enxaguante, da frequência e do período de utilização deve considerar a composição do produto e as necessidades individuais de saúde bucal. Em especial no caso de produtos com ação antisséptica mais intensa, a orientação de um dentista pode ajudar a determinar se o uso contínuo é realmente necessário.

Mais do que deixar a boca com sensação de limpeza, a higiene bucal envolve preservar um ambiente equilibrado. E, segundo as evidências disponíveis, nem sempre eliminar o maior número possível de bactérias significa necessariamente cuidar melhor da saúde da boca.

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