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Congelamento de Óvulos Ganha Espaço entre Brasileiras que Adiam a Maternidade

O congelamento de óvulos vem ganhando espaço entre mulheres que desejam preservar a possibilidade de engravidar no futuro. A técnica, conhecida como criopreservação de oócitos, permite retirar os óvulos dos ovários, congelá-los e armazená-los para uma eventual utilização posterior em tratamentos de reprodução assistida.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), já mostram uma expansão importante desse tipo de procedimento no país. No relatório referente a 2020 e 2021, a Agência registrou mais de 21 mil ciclos de congelamento de óvulos nos dois anos, com 154.630 óvulos congelados. A própria Anvisa relacionou o aumento à crescente demanda de mulheres que desejam adiar a gestação.

A procura está ligada a uma mudança no planejamento reprodutivo. Muitas mulheres têm adiado a maternidade por motivos profissionais, financeiros, pessoais ou por ainda não terem definido o momento em que desejam formar uma família. Nesse cenário, preservar os óvulos pode representar uma alternativa para manter uma possibilidade reprodutiva futura.

O procedimento, porém, não funciona como uma garantia de gravidez. Um dos fatores mais importantes para o sucesso é a idade da mulher no momento do congelamento, já que a quantidade e a qualidade dos óvulos tendem a diminuir com o avanço da idade.

Isso significa que congelar óvulos não interrompe o processo natural de envelhecimento ovariano. O que a técnica faz é preservar os gametas disponíveis naquele determinado momento, permitindo que eles possam ser utilizados posteriormente, caso seja necessário.

Outro ponto que merece atenção é que nem todos os óvulos congelados necessariamente resultarão em uma gravidez. Quando a paciente decide utilizá-los, eles precisam ser descongelados e, em geral, fertilizados por técnicas de reprodução assistida. A partir daí, são avaliados os embriões que poderão ser transferidos para o útero.

Um estudo brasileiro publicado em 2026 na revista Reproductive BioMedicine Online analisou 2.073 mulheres que realizaram congelamento eletivo de óvulos em uma clínica brasileira entre 2013 e 2022. A pesquisa mostrou um aumento expressivo na procura pelo procedimento ao longo do período e avaliou também os resultados entre mulheres que posteriormente retornaram para utilizar os óvulos armazenados.

Entre as pacientes que chegaram à etapa de transferência de embriões, uma parcela conseguiu obter gestação e nascimento de bebê. Os resultados, entretanto, variaram de acordo com fatores como idade no momento do congelamento e quantidade de óvulos maduros disponíveis.

A idade continua sendo um dos principais fatores

Embora a tecnologia tenha avançado, a preservação da fertilidade não elimina as limitações biológicas da reprodução feminina. Por isso, especialistas recomendam que a decisão seja individualizada e tomada após avaliação médica.

Exames podem ajudar a estimar a reserva ovariana, mas não conseguem prever com absoluta precisão se uma mulher engravidará no futuro. A quantidade de óvulos armazenados, a idade em que foram congelados e as condições de saúde da paciente são alguns dos fatores considerados durante o planejamento.

A Anvisa acompanha a reprodução humana assistida no Brasil por meio do SisEmbrio, sistema que reúne informações dos Centros de Reprodução Humana Assistida e permite monitorar procedimentos como fertilização in vitro e criopreservação de óvulos e embriões.

Mais do que uma tendência, o crescimento da preservação de óvulos acompanha uma transformação na maneira como muitas mulheres planejam a maternidade. A técnica amplia as possibilidades reprodutivas, mas deve ser encarada como uma estratégia de preservação da fertilidade, e não como uma garantia de gravidez no futuro.

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