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Cirurgias Labiais Crescem 40% no Brasil e Lip Lift Ganha Espaço entre Quem Busca Naturalidade

A busca por procedimentos capazes de valorizar os lábios sem necessariamente aumentar de forma significativa o volume acompanha uma mudança no comportamento de pacientes que procuram tratamentos estéticos. No Brasil, o número de cirurgias labiais passou de 87.699 procedimentos em 2022 para 122.781 em 2023, um crescimento de aproximadamente 40%, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). (TOPVIEW)

Nesse cenário, o Lip Lift vem ganhando atenção como uma alternativa cirúrgica para quem deseja modificar as proporções do lábio superior e preservar uma aparência mais natural. Diferentemente do preenchimento, a técnica não tem como objetivo principal adicionar volume por meio de uma substância injetável.

O procedimento consiste, geralmente, na retirada de uma pequena faixa de pele na região abaixo do nariz, reduzindo a distância entre o nariz e o lábio superior. Com isso, parte maior do vermelhão do lábio pode ficar exposta, além de haver alteração na relação entre o lábio e os dentes durante o sorriso.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 no Journal of Cosmetic Dermatology avaliou sete estudos, envolvendo 1.754 pacientes submetidos a diferentes técnicas de Lip Lift. Os pesquisadores observaram redução do comprimento do lábio superior, aumento da exposição do vermelhão e melhora na exposição dos incisivos superiores. A satisfação dos pacientes foi considerada alta, embora os autores tenham classificado a qualidade geral das evidências como moderada. (PubMed)

Os resultados também reforçam que a indicação não deve ser baseada apenas no desejo de ter lábios maiores. O procedimento pode ser considerado em pessoas que apresentam uma distância aumentada entre o nariz e o lábio superior, pouca exposição do vermelhão ou alterações relacionadas ao envelhecimento da região.

Naturalidade muda a busca por procedimentos

Durante muito tempo, o preenchimento com ácido hialurônico esteve entre as principais opções para quem desejava modificar o contorno e o volume dos lábios. O procedimento continua sendo utilizado, mas a procura por resultados mais discretos também tem colocado técnicas cirúrgicas em evidência.

O cirurgião plástico Paolo Rubez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, explica que o Lip Lift pode ser interessante quando a questão está relacionada à distância entre o nariz e o lábio, e não necessariamente à falta de volume. (Jornal O Sul)

A diferença é importante porque aumentar o volume não corrige necessariamente todas as alterações de proporção da região. Em determinados pacientes, encurtar cirurgicamente o lábio superior pode produzir uma mudança mais relacionada à anatomia facial do que simplesmente acrescentar volume.

Uma revisão sistemática anterior, publicada no Oral and Maxillofacial Surgery, também encontrou evidências de melhora estética após o Lip Lift subnasal. Outro estudo de revisão concluiu que as técnicas cirúrgicas tendem a apresentar efeitos mais duradouros do que alternativas não cirúrgicas, embora estejam associadas à presença de cicatriz. (PubMed)

Resultado depende da indicação

Apesar do interesse crescente, o Lip Lift não é indicado para todas as pessoas. A anatomia facial, o comprimento do lábio superior, a exposição dos dentes, a qualidade da pele e as expectativas do paciente precisam ser avaliados antes da cirurgia.

A literatura científica também aponta que ainda não existe uma padronização completa para medir os resultados das diferentes técnicas. Por isso, a escolha da abordagem deve ser individualizada, levando em consideração as características anatômicas de cada paciente. (PubMed)

Como qualquer procedimento cirúrgico, o Lip Lift também apresenta riscos e exige avaliação adequada. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta que pacientes procurem cirurgiões plásticos qualificados e destaca a importância da segurança na realização de procedimentos estéticos. (Cirurgia Plástica)

A ascensão do Lip Lift acompanha, portanto, uma transformação na estética facial: em vez de buscar apenas aumento de volume, parte dos pacientes passou a valorizar proporção, definição e harmonia. A tendência não significa que o preenchimento tenha deixado de ser utilizado, mas mostra que existem diferentes estratégias para alcançar resultados naturais — e que a escolha deve partir da anatomia e das necessidades de cada paciente.

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