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Galleri chega ao Brasil com promessa de detectar 50 tipos de câncer via exame de sangue

Galleri chega ao Brasil com promessa de detectar 50 tipos de câncer via exame de sangue
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Um novo exame de sangue capaz de rastrear cerca de 50 tipos de câncer chegou ao Brasil, prometendo identificar sinais da doença antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos. A tecnologia, denominada Galleri, é resultado de uma parceria entre o Einstein Hospital Israelita, o Grupo Fleury e a biotech norte-americana Grail. O procedimento utiliza a técnica de biópsia líquida para buscar fragmentos de DNA liberados por células tumorais na corrente sanguínea.

Tecnologia de biópsia líquida e diagnóstico precoce

Diferente da biópsia convencional, que exige a extração de tecido, a biópsia líquida analisa proteínas e padrões genéticos no sangue. Segundo Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein, o exame identifica a presença de marcadores que variam conforme o tecido de origem. Essa capacidade permite que o teste aponte em qual região do corpo o tumor está localizado, auxiliando médicos a direcionarem investigações complementares.

A proposta central é ampliar o diagnóstico precoce, especialmente para tumores de difícil rastreamento, como os de pâncreas e fígado, que frequentemente são descobertos apenas em estágios avançados. A expectativa é que o teste se torne uma ferramenta de rotina, integrando o portfólio de exames preventivos disponíveis para a população.

Indicações e critérios de utilização

O exame é voltado para pessoas com 50 anos ou mais que não apresentam sintomas da doença. Atualmente, o custo para a realização do teste é de R$ 6.900,00. O procedimento não é recomendado para gestantes, indivíduos que tiveram câncer nos últimos três anos ou pessoas com menos de 22 anos, devido à falta de evidências científicas de eficácia nessas faixas etárias.

É importante ressaltar que o Galleri não substitui os métodos de rastreamento estabelecidos, como mamografia, papanicolau, exames de próstata, colonoscopia e tomografia de tórax para fumantes. Ele atua como um complemento estratégico para a detecção de neoplasias que não possuem protocolos de triagem consolidados.

Resultados científicos e eficácia do teste

Dados do estudo britânico NHS-Galleri, publicados em 22 de setembro de 2026 nas revistas The New England Journal of Medicine e Nature Medicine, trouxeram luz sobre o desempenho da tecnologia. Em uma amostra de 70,3 mil participantes, cerca de 1% apresentou resultado positivo. Entre os casos confirmados, o teste indicou corretamente a origem do tumor em 91,9% das vezes.

Limitações e desafios da detecção

Apesar da precisão na localização, a sensibilidade do exame varia conforme o estágio do tumor. Pesquisas indicam que o Galleri detecta cerca de 40% dos cânceres em estágio 1 e 70% daqueles em estágio 3. A menor eficácia em estágios iniciais ocorre porque tumores menores liberam menos fragmentos de DNA na circulação sanguínea, dificultando a identificação.

Além disso, a biologia de cada tumor influencia o resultado, com alguns tipos de câncer, como os de tireoide e rim, apresentando menor liberação de material genético no sangue. O cenário atual aponta que, embora a tecnologia represente um avanço, ela ainda convive com desafios como falsos negativos e a necessidade de mais evidências sobre o impacto real na redução de diagnósticos tardios.

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