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Carnaval, beijo e saúde bucal exigem atenção redobrada

Especialistas alertam para transmissão de cáries e infecções pela saliva durante o período festivo

O Carnaval é marcado por encontros, proximidade e intensa interação social. Nesse contexto, o beijo casual torna-se comum, mas a troca de saliva também facilita a circulação de micro-organismos associados a doenças bucais e infecções virais. Em períodos de grande aglomeração, a atenção à saúde deve ser proporcional à exposição.

A cárie dentária, embora não seja classificada como doença contagiosa no sentido tradicional, envolve bactérias transmissíveis. A principal delas é a Streptococcus mutans, presente no biofilme dental e diretamente ligada ao processo de desmineralização do esmalte. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2 bilhões de adultos e 514 milhões de crianças convivem com cárie em dentes permanentes e decíduos no mundo. A troca de saliva pode transferir essas bactérias, especialmente quando há higiene bucal inadequada e consumo frequente de açúcar.

Além das bactérias relacionadas à cárie, o beijo pode transmitir vírus e outras infecções. Entre as ocorrências mais comuns está o herpes simples, causado pelo vírus HSV-1, altamente transmissível mesmo na ausência de lesões aparentes. Dados do Ministério da Saúde indicam que grande parte da população adulta já teve contato com o vírus ao longo da vida.

A chamada mononucleose infecciosa, popularmente conhecida como doença do beijo, é provocada pelo vírus Epstein-Barr. De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), a transmissão ocorre principalmente pela saliva e pode causar febre, dor de garganta intensa e aumento dos gânglios linfáticos. Vírus respiratórios, como influenza e coronavírus, também encontram no contato próximo um meio eficaz de disseminação.

Outro ponto relevante é a doença periodontal, que inclui gengivite e periodontite. As bactérias envolvidas nesses quadros podem ser compartilhadas, e o risco de desenvolvimento aumenta quando há predisposição individual e higiene insuficiente.

Durante o Carnaval, fatores como privação de sono, consumo excessivo de álcool, alimentação irregular e desidratação tendem a comprometer a imunidade. A redução do fluxo salivar, comum em quadros de desidratação, diminui a proteção natural da boca e favorece a proliferação bacteriana.

Diante desse cenário, medidas simples tornam-se estratégicas. Manter escovação adequada, utilizar fio dental, hidratar-se regularmente, evitar compartilhar copos e utensílios e redobrar a atenção diante de lesões aparentes são atitudes que reduzem riscos. Informar-se e adotar cuidados básicos é uma forma de preservar a própria saúde e contribuir para um ambiente coletivo mais seguro.

Fontes

Organização Mundial da Saúde. Global Oral Health Status Report.
Ministério da Saúde. Herpes simples e infecções virais.
Centers for Disease Control and Prevention. Epstein-Barr Virus and Infectious Mononucleosis.
Sociedade Brasileira de Periodontologia. Informações sobre doença periodontal.

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