Hoje lançamos uma nova edição da categoria Negócios em Foco, e escolhemos começar com uma história que representa, com precisão, tudo o que essa categoria propõe: trajetória real, decisão e construção de legado.
O Portal Pulsar Brasil abre esta edição de capa de Negócios em Foco com a história de uma empresária que não esperou o momento certo para começar: ela criou o próprio momento. Caroline Cenatti iniciou sua trajetória aos 13 anos, tornou-se sócia de um negócio um ano depois e, desde então, construiu uma jornada que atravessa seis países, uma marca cosmética autoral e mais de 100 mil mulheres impactadas. Nesta entrevista exclusiva, ela fala sobre decisão, resiliência e o que realmente está por trás de um legado em construção.
Você começou a trabalhar aos 13 anos e se tornou sócia de uma empresa aos 14. O que essa experiência precoce ensinou que nenhuma formação acadêmica poderia ter ensinado?
Ela me ensinou que responsabilidade não espera você estar pronta. Quando você precisa tomar decisões reais, financeiras, operacionais e humanas, com 14 anos, você aprende de um jeito que nenhuma teoria alcança. Aprendi a lidar com pressão, a respeitar o dinheiro e a entender que cada escolha tem consequência. Isso moldou minha mentalidade para o resto da vida. O conhecimento técnico veio depois para dar nome ao que a experiência já havia ensinado.
Aos 19 anos, você deixou o Brasil para começar do zero nos Estados Unidos. O que te moveu nessa decisão e o que você encontrou do outro lado?
Me moveu a certeza de que eu precisava de mais do que o que estava disponível para mim naquele momento. Não foi fuga, foi expansão. Do outro lado, encontrei exatamente o que buscava: um mundo maior, com outras formas de pensar, de consumir, de cuidar. E também encontrei dificuldade, solidão e a necessidade de me reinventar em outro idioma, em outra cultura, sem rede de apoio. Essa combinação é o que me fez quem sou hoje.

Você viveu em seis países: Estados Unidos, Portugal, Espanha, Inglaterra, Colômbia e Canadá. Como essa vivência internacional se traduziu na forma como você conduz seus negócios hoje?
Cada país me deu uma lente diferente. Aprendi que não existe uma única forma de fazer negócios, de liderar ou de se comunicar. O que funciona em Londres não funciona em Bogotá. Essa flexibilidade, de adaptar sem perder a essência, é uma das habilidades mais valiosas que tenho. Hoje, quando trabalho com posicionamento de marca ou mentoria, consigo enxergar além do mercado brasileiro porque já vivi de dentro o que outros só observam de fora.
A Culturas Collections nasceu dessa experiência internacional. Como você chegou ao conceito da marca e de que forma ela representa sua história?
A Culturas nasceu quando percebi que carregava um repertório que poucas pessoas no mercado cosmético brasileiro tinham. Estudei de perto a cosmetologia do Oriente Médio, com rituais milenares, ingredientes com profundidade real e uma relação com o cuidado que vai muito além da superfície. E vi que existia um espaço para trazer isso para a mulher brasileira de forma honesta, funcional e com identidade. A marca não é só um produto. É uma síntese do que vivi e do que acredito sobre beleza, cultura e pertencimento.

Você define o cabelo como a coroa da mulher. De onde vem essa visão e como ela orienta o desenvolvimento dos produtos da Culturas?
Vem de observar mulheres. Em todos os países em que vivi, o cabelo carregava algo além da estética: carregava história, identidade e autoestima. Uma mulher que cuida dos seus cabelos não está apenas seguindo uma rotina de beleza. Ela está se afirmando. Isso orienta tudo na Culturas: não desenvolvemos produto pensando só em resultado técnico, mas em como aquele produto vai fazer a mulher se sentir quando ela olhar para si mesma.
Você tem formação em Marketing pela FGV, Gestão de Pessoas com método Harvard e diversas formações em coaching e PNL. Como você une todo esse conhecimento no seu trabalho diário?
Com intenção. Formação sem aplicação é acúmulo, não evolução. O que aprendi na FGV me ajuda a posicionar marcas com estratégia. O que estudei em gestão me ajuda a liderar equipes e estruturar negócios com clareza. O coaching e a PNL me deram ferramentas para entender comportamento, o meu e o das pessoas com quem trabalho. No dia a dia, tudo isso conversa. Não existe separação entre a empresária e a mentora: as duas falam a mesma língua.

Seus conteúdos alcançam mais de 17 milhões de contas por mês e você já impactou mais de 100 mil mulheres. O que esses números representam para você e o que eles não dizem?
Eles representam consistência. Não fui viral uma vez, construí presença ao longo do tempo, com conteúdo real e posicionamento claro. Mas o que os números não dizem é o que acontece depois do clique: a mulher que muda sua mentalidade, que estrutura seu primeiro negócio, que para de se sabotar. Isso não aparece em métrica nenhuma. É por isso que falo sempre que alcance é consequência, o que importa é transformação.
Você não romantiza o empreendedorismo feminino. O que você diria para uma mulher que está no início da jornada e acredita que o caminho é mais simples do que é?
Diria que ela precisa ouvir a verdade antes de começar: vai ser difícil, vai exigir disciplina e haverá momentos em que a vontade de desistir vai aparecer. E tudo isso é parte do processo, não um sinal de que você está no caminho errado. O empreendedorismo feminino não precisa ser bonito para ser real. Precisa ser consistente. A mulher que entende isso para de esperar a motivação chegar e começa a agir mesmo quando não está com vontade. É aí que o crescimento acontece de verdade.

Acompanhe Caroline Cenatti no Instagram: @carolinecenatti
O Portal Pulsar Brasil é um veículo dedicado a histórias que constroem referência. Por meio de entrevistas, perfis e conteúdos editoriais com padrão jornalístico, conectamos profissionais, especialistas e empresários a um público que busca informação com profundidade e credibilidade. A trajetória de Caroline Cenatti representa exatamente o tipo de narrativa que nos move: real, consistente e com impacto que vai além dos números. Seguimos atentos às histórias que merecem ser contadas e às pessoas que têm algo verdadeiro a dizer.
Foto: Trumpas