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Dra. Raissa Alana: Quando A Dor Se Transforma Em Propósito

A história da Dra. Raissa Alana não começa na Odontologia. Começa na dor. Aos 26 anos, no auge de uma carreira sólida no Direito e com uma trajetória acadêmica consolidada, ela recebeu diagnósticos que mudaram completamente o rumo da sua vida. O que parecia ser apenas mais uma fase se revelou um divisor de águas físico, emocional e espiritual.

Entre tratamentos, perdas e recomeços, Raissa precisou reconstruir não apenas seus planos, mas a própria identidade. Foi nesse processo de ruptura que nasceu uma nova versão de si mesma, mais consciente, mais humana e guiada por um propósito que ultrapassa títulos e conquistas.

Hoje, cirurgiã dentista, ela enxerga a saúde bucal como extensão do cuidado integral com o ser humano. Sua trajetória une ciência, fé e empatia de forma madura e responsável, mostrando que muitas vezes os maiores renascimentos nascem dos momentos mais improváveis.

Nesta entrevista, Dra. Raissa Alana fala sobre diagnóstico, luto, coragem, espiritualidade e a força de recomeçar quando tudo parece desmoronar. Uma conversa sobre dor, milagre e propósito, e sobre a potência de transformar cicatrizes em missão.

Aos 26 anos, você recebeu diagnósticos que mudaram completamente o rumo da sua vida. Como aquele momento redefiniu a sua identidade, não apenas como profissional, mas como mulher?

Aos 26 anos, eu precisei encarar o fim da imagem que tinha de mim mesma. É impressionante como tudo pode mudar da noite para o dia e como a saúde sustenta absolutamente tudo na nossa vida. Até certo momento, eu estava bem. De forma abrupta, descobri que engravidar não seria fácil para mim. Disseram, inclusive, que seria impossível.

Até então, minha identidade estava profundamente ligada ao desempenho, ao controle e à produtividade. Eu me reconhecia pelo que fazia, pelo quanto entregava, pelo quanto conseguia sustentar. Quando vieram os diagnósticos, endometriose, falência ovariana, menopausa precoce, trombofilias genéticas e adenomiose, eu entendi, de forma dura e definitiva, que não era invencível. E isso doeu.

Doeram as perguntas sem resposta.

Como alguém descobre diagnósticos de tamanha profundidade mesmo realizando acompanhamentos anuais?

Como dores que eu sentia há anos, cólicas menstruais constantes, puderam me levar a esse ponto?

E por que, durante tanto tempo, me disseram que essas dores eram normais?

Doeram o corpo, os planos e as certezas. Doeu perceber que nem tudo depende apenas da nossa força ou da nossa vontade.

Mas aquela ruptura também me obrigou a olhar para mim além dos títulos, das conquistas e das funções. Eu deixei de me definir apenas pelo que fazia e comecei a me perguntar, pela primeira vez com honestidade, quem eu era quando tudo parava.

Foi nesse silêncio forçado, nesse chão que pareceu desaparecer, que nasceu uma nova versão de mim, mais sensível, mais humana e muito mais forte.

Você construiu uma carreira sólida no Direito, com mestrado e atuação no serviço público. O que a levou a ter coragem de recomeçar na Odontologia, mesmo já tendo uma trajetória consolidada?

Eu nunca imaginei que um dia faria Odontologia.

Durante o tratamento que realizei para engravidar e, depois, após uma perda gestacional que me levou a um quadro de depressão, as profissionais que me acompanhavam me incentivaram a buscar algo de que eu gostasse para aliviar a mente. E eu sempre gostei de estudar. Foi então que decidi iniciar um curso na área da saúde.

A coragem não veio da ausência do medo, mas da necessidade de me ajudar a curar sentimentos e emoções e, de alguma forma, aliviar tudo aquilo que eu carregava por dentro.

O Direito me deu segurança, estrutura e identidade. Mas a Odontologia surgiu como um chamado silencioso em um momento de dor profunda. Eu não comecei a Odontologia pensando em mudar de carreira; comecei tentando sobreviver emocionalmente. E, no caminho, percebi que recomeçar não era desistir do que eu havia construído, era expandir quem eu poderia ser.

A dor física e emocional fizeram parte da sua história por muitos anos. Como essas experiências impactam, hoje, a forma como você acolhe e enxerga seus pacientes?

Hoje, eu não enxergo apenas bocas, dentes ou diagnósticos. Eu enxergo histórias.

A dor me ensinou a escutar sem pressa, a respeitar o tempo do outro e a entender que, muitas vezes, o paciente chega carregando medos que não estão no prontuário. Eu acolho porque sei o que é precisar ser acolhida. E isso muda completamente a forma de cuidar.

Olhar o paciente com amor muda tudo.

A perda gestacional marcou profundamente a sua caminhada. De que forma esse luto contribuiu para o seu amadurecimento pessoal e para o encontro com um novo propósito?

O luto me ensinou sobre o silêncio, sobre limites e sobre uma fé real.

Ele me tirou do automático e me colocou frente a frente com a fragilidade da vida. Foi nesse processo que amadureci emocionalmente e compreendi que propósito não nasce da perfeição, mas da reconstrução.

A dor não foi em vão, ela me lapidou para servir melhor, com mais empatia, consciência e responsabilidade emocional.

Você descreve a Odontologia como renascimento. Em que momento percebeu que essa escolha estava curando algo dentro de você?

Eu percebi quando estudar deixou de ser fuga e passou a ser alegria novamente. Quando eu me via inteira dentro de uma clínica, quando o cuidado com o outro também me organizava por dentro.

A Odontologia me devolveu o prazer de aprender, de tocar vidas e de me sentir viva em um período em que tudo parecia cinza. Foi ali que entendi algo essencial: enquanto eu cuidava, eu também estava sendo curada.

No segundo semestre da faculdade, eu já estava emocionalmente mais leve, em paz comigo mesma, sentindo-me novamente inteira. E o meu corpo respondeu a esse equilíbrio. Foi então que veio um grande milagre: engravidei do meu filho, Guga, de forma natural.

Foi uma surpresa realmente incrível. Descobri a gravidez na emergência de um hospital. Eu acreditava estar com COVID ou dengue. Mas não. Era vida. Era saúde. Era o meu filho.

A Odontologia, para mim, é renascimento. Com todas as letras.

Ela me deu um novo sentido para viver, transformou a minha dor em cura, a cura em milagre e o milagre em vida, meu amado filho, Guga.

Sua fé tem um papel central na sua história, especialmente com o nascimento do Guga. Como espiritualidade e ciência convivem na sua vida e na sua prática profissional?

Para mim, elas não competem, elas se complementam.

A ciência me dá método, técnica e responsabilidade. A fé me dá sentido, humildade e direção. O nascimento do Guga é a maior prova de que existem coisas que a ciência explica e outras que só a fé sustenta.

Eu atuo com excelência técnica, mas com a consciência de que nem tudo está sob o meu controle. Isso me torna uma profissional mais ética e uma mulher mais guiada por propósito.

Não existe falar da Raissa sem falar sobre Jesus. Ele é a base da minha vida. A fonte da sabedoria e do conhecimento.

Hoje você usa suas redes sociais para mostrar que a Odontologia vai muito além da estética. Que mensagem você sente que precisa reforçar diariamente sobre saúde bucal e autoestima?

Saúde bucal é dignidade. É função. É qualidade de vida.

A estética é consequência.

Sorrir sem dor, mastigar bem, falar com segurança e se reconhecer no espelho são atos de autoestima profunda. Eu faço questão de lembrar, todos os dias, que cuidar da boca é cuidar da pessoa inteira.

Porque não existe nada mais bonito do que um sorriso que nasce de dentro para fora.

Se pudesse falar com a Raissa de 26 anos, que recebeu tantos diagnósticos e sentiu o chão desaparecer, o que diria a ela hoje?

Eu diria: respira.

Você não está sendo punida, está sendo preparada. Nem tudo o que dói é perda, algumas dores são sementes.

Você ainda vai viver milagres, vai recomeçar mais de uma vez e vai descobrir que é possível ser firme sem deixar de ser sensível. Confia. O chão vai voltar e você vai aprender a caminhar ainda melhor sobre ele.

Jesus está com você. Sempre esteve. Sempre estará.

E tudo vai terminar bem. Ele faz infinitamente mais. Pode confiar.

A trajetória da Dra. Raissa Alana prova que a dor pode ser ponto de ruptura, mas também pode ser ponto de partida. Entre diagnósticos difíceis, perdas profundas e recomeços corajosos, ela transformou fragilidade em força e incerteza em missão.

Hoje, sua prática vai além da técnica. Ela carrega no olhar a empatia de quem já precisou ser acolhida e, nas mãos, a responsabilidade de quem entende que cuidar da saúde é tocar histórias. Ciência e fé caminham juntas em sua jornada, sustentando uma profissional que não enxerga apenas sorrisos, mas vidas inteiras.

A Dra. Raissa Alana não fala apenas sobre superação. Ela vive propósito. E talvez essa seja a sua maior mensagem: não é sobre não cair, é sobre permitir que cada queda revele uma versão mais consciente, mais humana e mais preparada para servir.

Foto: @haytorres

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